"BIOGRAFIA"

"Paulo Taful"

 
Paulo Alexandre Taful Damião; usa o nome literário «Paulo Taful» é um maestro, encenador e poeta português, nasceu em Montelavar no dia 19 de Janeiro de 1969.
Iniciou os seus estudos, ainda criança, no seio da sua família. Começou os estudos musicais como executante de trombone, passando depois para o saxofone. Mais tarde, descobre a música coral e deixa-se fascinar pela Direcção Coral. Depois de terminar um curso de Direcção Coral, frequentou vários “workshop’s” e cursos de aperfeiçoamento, tanto em Portugal, como no estrangeiro. Depois veio o teatro e a grande aventura dos palcos, das luzes e dos escritores, como Lorca. Em 2004 integra o grupo “Músicos e Poetas”, com o qual tem em cena há cerca de dois anos o espectáculo “Palavras ao Piano”, com este espectáculo gravou um CD. Há alguns anos apaixonou-se pela escrita e descobriu na poesia um espelho onde reflecte a sua alma. Em 2001 publica o seu primeiro livro de poesia “Palavras Pensadas”. Em 2003 publicou o livro “Mercador de Poemas – Contos, cartas e poesia” e lança simultaneamente o seu primeiro CD de poesia com o mesmo nome.
Participou em algumas antologias poéticas e ganhou alguns prémios de poesia. Em Abril de 2005 lançou o CD “Castelos no ar”. Durante sete anos dirigiu o Grupo Coral da Academia da Força Aérea Portuguesa, participando em várias cerimónias de estado e em vários programas de televisão. Em 2006, dirigiu e encenou o musical "O Nazareno" de Frei Hermano da Câmara. E em 2007 estreou o musical “Senhora de Fátima” um espectáculo da sua autoria recorrendo a músicas de vários autores consagrados, que foi convidado a estar presente no Centro Pastoral Paulo VI em Fátima, integrado nas comemorações dos 90 anos das aparições de Fátima. Actualmente é professor de História de Portugal na Academia cultural da 3ª idade do Cacém, onde também dirige uma oficina de poesia e onde já leccionou também História da Música. É maestro em 14 grupos corais, com os quais realiza anualmente cerca de duas centenas de espectáculos, e dá aulas de Educação Musical no Jardim-escola João de Deus. Em Outubro de 2007 estreou o seu musical "Amália para sempre" em cena em Cabriz - Sintra. Em Maio de 2008 estreou o seu café Concerto "Café Lisboa, em cena em Pêro Pinheiro, no Centro Social de Pêro Pinheiro. Em Abril de 2009 estreou a sua encenação do musical A Canção de Lisboa, baseado musical de Filipe La Féria na Associação Cultural, Social e Recreativa de Cabriz. Em Janeiro de 2010 fundou a sua companhia de Teatro Profissional "Bastidores do Êxito" com a qual estreou o grande sucesso A Casa de Bernarda Alba de Federico Garcia Lorca e com o qual tem em cena actualmente o musical O Nazareno de Frei Hermano da Câmara.
Faz parte da “Associação Portuguesa de Poetas” e de “Confrades da Poesia”. 
 
BIBLIOGRAFIA:
“Palavras Pensadas”; "Monólogo do Poeta"
 
 

Uvas de vinho
 
 
Hoje embebedei-me na taberna da vida,
Bebi com os rios e brindei ás correntes,
Petisquei com as vinhas
E cantei as nascentes,
Hoje embebedei-me na taberna da vida,
Andei por aqui e por ali,
Toquei instrumentos de milho,
Numa desfolhada da beira,
Conversei com namorados
Em beijos marcados,
Voei devagar até ás serras mais altas,
Para planar depois nos verdes vales dos altos montes.
Hoje embebedei-me na taberna da vida
Conheci o sonho e tratei-o por tu,
Jogamos ás cartas em escritas antigas,
Cruzamos o céu azul ás vezes.
Encontrei os poetas, embebidos de vida
De vida sentida em toques de guitarra.
Hoje embebedei-me na taberna da vida
Deixe-me embalar na canastra de uma varina
E senti a vida nas mãos suadas de um camponês.
Hoje tudo mudou para mim,
A vida deste meu povo entrou dentro de meu corpo,
Conversei nas praças e vendi poemas nos mercados.
O sol é uma constante, a noite parece uma cidade
vista de longe em dias de lua cheia.
Dancei nas festas e romarias ao som de pronuncias perfumadas
Melodias mais puras.
Hoje embebedei-me na taberna da vida.
Rezei devagar num Domingo à tardinha,
Em hora de calor e de procissão.
Deixei-me juntar ás orações das mães aflitas
Carregadas com seus filhinhos à cintura,
Padre nosso Avé Maria,
Dai-nos o pão suado de cada dia.
Ouvi o grito,
Ouvi o grito das mulheres dos pescadores:
Senhora da Agonia do mar fazei calmía,
Senhora da Boa Hora ouve esta oração agora.
Hoje embebedei-me na taberna da vida,
Joguei à malha e ao chinquilho,
Provei da conversa de duas velhinhas enrugadas de vida,
Na soleira das suas portas.
Plantei sementes na terra,
Ceifei o pão em largas planícies.
Hoje embebedei-me na taberna da vida
Bebi, bebi a vida em tragos musicados de adufes
E flautas de pastoreio,
Bebi, dancei ao som da Chula e do Malhão,
Deixei-me rebolar terra fora
Ao som de bumbos e gaitas de foles,
Bebi, dancei, dancei e senti
Estas uvas de vinho que me inebriam e enlouquecem,
Esta terra que é minha,
Este canto que eu vi,
Neste corpo,
Livro que li.
 
Paulo Taful
(1º Prémio do VIII Encontro de Poetas de Agualva – Cacém)
 
 
 
 
Testamento
 
Tenho poiso onde viver
Tenho casa onde estar
Não tenho nada de meu
Ninguém tem nada pra me dar.
 
O que me deram se não vê
Tanto é o seu calor
Cabe na palma da minha mão
Vê-se em mim o seu valor.
 
Coisa rica me legaram
Que em casa não se pode albergar
Vale o ouro todo do mundo
Mas não sei para quem deixar.
 
É coisa que se não usa
Esta gente a não tem,
Dizem que agora é tudo livre
Essa "coisa" é mal também.
 
Cabe em mim o seu tamanho,
Foi o que me disseram,
Pois a honra e dignidade,
Foi aquilo que me deram.
 
 
Paulo Taful
Ode ao Inverno
 
 
Vem Inverno, vem,
Com teu magistral manto de grande imponência voando na chuva.
Vem Inverno, vem,
E desaba sobre nós o teu falar refrescante e precioso à natureza.
Faz transbordar de alegria todos os rios e inunda a terra.
Lava-me do Verão quente e fatigante
Vem ó majestade que a todos governas.
Faz-nos sentir o calor das nossas casas e o frio dos ventos rápidos do norte.
Vem com passos brancos de neve
e mãos tocantes de geada.
Vem ó infinito gelado do ártico
E obriga-nos aos agasalhos elegantes
dos animais do sul.
Vem Inverno, vem todos os anos,
No mesmo dia, na mesma hora, naquele instante.
Vem e mata com teu sorriso
O orgulho da natureza cansada de tanto florir e brilhar.
Vem e lava todos os telhados imundos
Das casas de todas as cidades da terra.
Vem, Inverno vem,
Inunda-me de frio,
Faz-me voar no vento,
Transforma-me na chuva,
E alimenta-me na neve.
Vem, e quando fores embora,
Empurrado por todas as flores dos campos
E o sol do mais alto dos céus,
Então fecharei os olhos,
deixarei correr minhas lágrimas
e dentro de mim,
será novamente Inverno.
 
Paulo Taful
 
 
 
Danada de Espertinha
 
Nasceu lá no monte,
Erva daninha,
Caminha devagar,
Bebeu água numa pinguinha.
 
Erva daninha,
Não foi à escola
Ela lá aprendeu tudo,
Enquanto se rebola.
 
Lá vai monte abaixo,
Sentar-se num quintal,
Ou se esconde bem,
Ou vai tudo correr mal.
 
Erva daninha,
Não anda na moda
Esconde-se com medo,
De apanhar uma sova.
 
Erva daninha,
Corre a fugir,
Cresce aqui, foge acolá,
Sabe sempre aonde ir.
 
Nasceu lá no monte,
Erva daninha,
Caminha devagar,
É danada de espertinha.
 
 
Paulo Taful
 
 
Pó, eu!
 
Sou do campo,
Vejo-me da serra
Misto de mim
Em gosto atravessado
De pedras e liós.
Rochas arrancadas
Com mãos de lenha,
Em uivos de largada
Quando o sol se põe.
Sou para além de mim
Ser pequeno, esculpido fruto,
De outros beijos e gritos,
Mármores e pó.
Sou do campo,
Vejo-me na pedra,
Companheira inseparável,
Mármores, liós,
Rochas, pedras e pó.
 
Paulo Taful
 

 
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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