"BIOGRAFIA"

"NELSON FONTES CARVALHO"

«A POESIA É O BÁLSAMO DA ALMA»»

 
Nelson Fontes Carvalho nasceu a 10.03.34 em Vilar, aprazível aldeia nas margens do Mondego no Concelho de Vila Nova de Poiares, mas passado dois anos mudou-se para Vale Escuro, Foz de Arouce no Concelho da Lousã. Mais tarde foi para Lisboa, tendo depois emigrado para Munique (Alemanha) onde lá viveu 25 anos, tendo-se fixado definitivamente em Belverde/Amora/Portugal após se aposentar. Cedo começou a compor Poesia, tornando-se num exímio sonetista; que o caracteriza como um Poeta de singular sensibilidade e, sempre atento aos desacatos sociais, bane e desmascara todo o género de injustiças e ignomías.
Ao longo da sua carreira colaborou em vários Jornais e Revistas, possui actualmente alguns Blogs na Internet e é membro efectivo do Mensageiro da Poesia, em Amora e de “Confrades da Poesia”; Amora; “AVSPE”, Brasil, entre outros.
BIBLIOGRAFIA:
“Folhas da minha vida”; Minha Terra, minha Musa”.
Site / Blog:
http://novacalliope.blogs.sapo.pt/

Eterna Noite
 
 
 
É muito tarde já, e eu sinto a alma opressa
Sozinho no meu quarto aonde a solidão
Transforma sem demora, transforma sem perdão,
Minha vigília triste em noite mais espessa!
 
E as horas vão caindo; parece que não cessa
O aperto que tortura o meu pobre coração,
Que mansamente reza, a Deus, uma oração
Para que o dia venha e o sol nele apareça!
 
Para que, enfim, liberte de mim esta amargueza,
Que a solidão me traz em dor que dilacera
E a noite adensa mais em amargura fera!...
 
Mas ah! Eu sei que Deus não ouvirá a reza,
Que vai do peito meu em pedido bom, puro,
Pedir-lhe que um dia morra lá em Vale Escuro
 
Nelson Fontes Carvalho – Belverde
 
 
 
 
 
O PASSADO NÃO VOLTA!
 
 
 
No declinar da vida a gente reconhece,
Quantos erros fizemos, consequentes a eito,
N’uma sucessão fatal, cuja culpa aceito,
Nem vale aqui lembrar, aliás, nem apetece!..
 
Marés flagrantes perdidas, isto enfurece
Julgando que tudo se repetia com proveito,
Mas o tempo não perdoa, leva tudo a direito,
Aquilo que no momento futilmente se tece!
 
Hoje vê-se claro todas essas peripécias,
N’uma imagem que me diz:-Nelson esquece-as,
O passado não volta,tolo, não sejas cobarde...
 
A vida é isto, quer queiras, quer não, apara
As consequências com valentia, com boa cara
Porque no fim tudo ocorre tarde, bem tarde!...
 
 
 
 
Nelson Fontes Carvalho – Belverde
AMOR TEMA INESGOTÁVEL
 
 
 
QUE O AMOR SEJA O TEMA,
Só amor, nada de fantasia,
Intenso erótico com poesia,
De parte a parte, se sinta gema!...
 
Essência que o momento cria,
Labareda de paixão extrema,
Só há um corpo, só um sistema,
Satisfazer aquilo que nos sacia…
 
Este é o tema, quando é preciso
Sentir que nos guinda ao paraíso,
No deleite que o prazer derrama…
 
É amor, e, quando se faz amor,
É lograr do vulcão todo calor,
Mesmo que se tenha queimar a cama!
 
Nelson Fontes Carvalho – Belverde
 
 
 
 
 
O SONETO E OS SONETISTAS.
 
 
 
Deu-lhe Bocage suas inimitáveis facetas,
Nobre saudade, alma real, sup’rior,
Bulhão! Camões! Deus! Quental todo amor,
Tantos mais que divinizaram sua Julietas!
 
O soneto sempre foi o recheio do trovador,
Onde brilharam todos poetas dos planetas,
Nesta classe todos gastaram suas canetas,
Que nos deixaram obras, com máximo primor!
 
Há sonetos que seus autores foram vedetas,
Drummond! Abreu…Ó tantos de quem sou leitor,
Igual nenhum poeta lhe passa as palhetas…
 
Todo poeta tem que ser profundo sabedor,
Da cultura geral, desde léxicos aos cometas,
De pansofia ao enigma a decifrar do amor!
 
 
 
 
Nelson Fontes Carvalho – Belverde 
   
   
   
AMIGOS E AMIZADES
== Viver sem amigos, não é viver! ==
 
 
Nada como amigos a quem
você pode chamar de irmãos
Quando o amor ou amizade é verdadeiro
dura para sempre, não importa a distância,
crises e brigas o que as unem é mas forte
 
Meus amigos são todos assim:
metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador
e tonalidade inquietante
 
Velhos amigos
Faça novos amigos, mas nunca se esqueça
daqueles que sempre estiveram com
Amigo é aquele distante,
Não sente há tempos ausente,
Regressa, nota confiante,
Que amizade está presente!
 
Em amizade verdadeira,
Nada existe que a quebre,
Observa-se desta maneira,
Mantem-se a mesma febre!
 
…Febre que se nota assim.
No qu’era e que se mantém,
O acolhimento em festim,
Que diz nunca houve desdém!
 
Pra ser um amigo real,
Só precisa deste talento,
Basta ser puro, pontual,
Que o tenha no pensamento!
 
Entre amigos e amizades,
Há uma corrente com elos,
Que são feitos com verdade,
Sem dif’renças, são paralelos!
 
Mesmo que passem anos,
Trabalhe no fim do mundo,
Mostra que não há enganos,
Que sua amizade tem fundo!
 
Amizade é a tal corrente,
Que certa virtude encerra,
Que nos liga e não se sente,
Que mesmo longe por nós berra!
 
Ser amigo, ter amizades,
Convém dar-lhe abrigo,
Com sinais de festividades,
Que ouvir: Sou teu amigo!
 
Amizade é um sentimento,
Que na nossa vida ocorre,
Se assim é, todo momento
Fazer tudo bem, não morre!
 
 
 
 
Nelson Fontes - Belverde
O NOSSO FADO
 
 
 
O fado! Creio, foi o nosso “fado”
Já de gerações muito antes,
Foi a SEVERA o ter consagrado,
Que surgiram fadistas amantes!
 
O fado é das melodias,
Que apesar de ser triste,
O povo todos os dias,
De ouvi-lo não resiste!
 
Tão popular que que invade
A alma do rico e pobre,
Enche qualquer de saudade,
E, muito mais descobre!
 
Que todo mundo chama,
Ao Bairro Alto e Madragoa,
Ou às tascas d’Alfama,
Que tantas há em Lisboa!
 
O fado já não é o que era,
Mas tem o mesmo feitiço,
Seja na tasca ou na SEVERA,
Julgo, jamais tem sumiço!
 
O fado que o mundo entoa,
tem poetas, tantos, tantos,
Como Fernando Pessoa;
Ou o genial Ary dos Santos!
 
Neste ambiente s’adivinha,
Existiu fadista genial,
AMÁLIA foi a rainha,
Jamais há outra igual!
 
Aqui no SEIXAL e AMORA,
Há a Brás, LINA e Piedade
Fadistas que gostamos agora,
As divinas d’actualidade!
 
Há mais grandes fadistas,
Maria Amália e Miraldina,
Quando entra na pista,
A aclamação é divina!
 
Hoje o nosso triste fado,
Chegou à enfim a sumidade
Foi justamente (con)grado,
Património da humanidade!
 
Isto d’agregoar não desarmo,
Honrar um homem com tributos,
Que é CARLOS DO CARMO,
Co’o lindo fado OS PUTOS!
 
 
 
 
Nelson Fontes - Belverde
 
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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