"BIOGRAFIA"

"Luís Fernandes"

 

 

Luís Filipe das Neves Fernandes, nasceu a 16 de Setembro de 1946, na pitoresca vila algarvia de Armação de Pêra, iniciando desde logo um convívio permanente com o mar, as embarcações e os pescadores.
Deste contacto com a natureza nasceu a sua inspiração poética, cimentada pela sensibilidade humanista que o caracteriza. Aos 16 anos rumou para Lisboa, lutando pela vida e pela independência: Casou com Donzilia Fernandes, de quem tem 2 filhas e 4 netinhos. Aos seus netinhos já prometeu incutir o gosto pela poesia.
No ano de 1971, emigrou para a Suíça. Em 1998, fundou o Mensageiro da Poesia-Associação Cultural Poética, sediada em Amora, concelho do Seixal.
O poeta Luís Fernandes tem um livro publicado e em breve fará a apresentação de outro trabalho. Já participou em várias colectâneas (Antologias) em Portugal e no Brasil, sendo com todo o mérito um pioneiro na divulgação além fronteiras da nossa cultura popular na vertente poética e um acérrimo defensor da nossa língua camoniana. No Dia 2/11/08 promoveu a comemoração do Xº Aniversário do Mensageiro da Poesia.
Membro de "Confrades da Poesia" - Amora / Portugal
 
BIBLIOGRAFIA:
“Emigrante na Suíça” (1992); “Amor pela Poesia” (2008) : Ebook-Digital.
 
Site:
E-mail: mensageiropoesia@gmail.com
 

O Pescador
 
 
Por ser obra do destino
Começa desde menino,
A labutar na faina do mar.
No olhar traz descoberto,
Quanto despeito sente tão perto,
O pescador que tanto ama…
Tudo o que ascende na alma.
 
Apenas o seu ser de amor
Aclama suaves os brilhos,
No mundo que imunda a calma
Dia após dia pensa na família.
Nessa vida cheia de sarilhos,
Bebe manhãs de nevoeiro
Sobre esse mar traiçoeiro.
 
Penetra em si no interior,
O calor do sangue nas veias,
Entre o luar e a sombra
Caminha com mil ideias
O destemido e nobre pescador
Parte sempre em viagem,
Com o rosto fixo na paisagem.
 
Flutua na vida que tanto ama…
Com a luz do sol no esplendor,
Enaltece o dote do seu ser,
Na imensidão do Oceano.
Afogam-se as lágrimas de dor,
Que inundam o coração e a calma,
Na transparência do ser que não é…
A inteligência das leis do poder.
 
 
Luís Fernandes
 
 
É Preciso Cultivar
 
 
Amizade união e paz,
São palavras maravilhosas
Que o homem não é capaz,
De utilizar nas coisas.
Coisas que prendem a vida,
Que nos une e nos consola
Não têm preço nem medida,
Nem precisa pedir esmola.
Porque a vida de cada dia
Se faz com união e paz,
Música, ternura e poesia,
Na verdade, tudo isso se faz.
Com amor de quem nos ama,
Deus sabe e justifica,
O que sentimos na alma
No amor não se explica.
Precisamos cultivar em paz
Para que possamos alcançar:
Em qualquer lugar, onde se faz
O que se precisa é valorizar.
 
Luís F. N. Fernandes
 
 
A Um Bom Amigo
 
Deus alumia no dia-a-dia.
Tudo o que se faz por amizade
Isso eu sei que é verdade;
Que trago no rosto a poesia
Que muitos rostos gostariam!
De ver o Sol como acarinha...
O rosto do Pinhal que adivinha;
Sorrir aos anjos que quiseram
Falar comigo sobre a vida,
Que identifica o que não foi visto
E também o que não foi dito...
É alcance de mão dada.
O milagre do seu carinho
É um privilégio Divino,
Sentir a dádiva do Senhor
Nos versos de amizade e amor
Que passam como oiro fino
Ao som de um violino.
 
Luís Fernandes
 
 
 
 
 
O Nosso Poema
 
Querida sinto que te amo
Aquilo que falo e chamo,
Ser de raiz profunda
Onde o sorriso não muda.
Os nossos gestos palpitantes
Que a gente, sempre sente!
Quer de dia, quer de noite
Nas límpidas aguas das fontes,
A nossa felicidade não muda.
Se lançar-mos raiz profunda
Onde a terra é mais linda,
Em cada minuto da vida.
Se cria no pensamento
O que se tem de direito
Por longe ou por perto,
Na bênção do amor existe!
Um tesouro sem explicação…
Eis o nosso poema
No meu e no teu coração.
No Meu Olhar
 
 
No meu olhar tristonho
Vi na lembrança do sonho
Que eu sempre quis pôr
O meu desejo bem maior;
No luzir dos meus olhos
Com ramos de flores aos molhos...
Eu encontro no verbo amar
O diálogo que eu sei conjugar,
Eu somente vi em meus sonhos
Vi no alento dos teus braços;
Que o meu rosto tinha traços
Num raio de luz que não alcanço!?
A esperança que ainda falta...
Junto de ti como um poeta,
Ainda me restam as mãos...
Que tentam um diálogo mudo,
Onde tu compreendes tudo!
Tudo terá o seu tempo.
Onde eu pretendo chegar
Jamais deixarei de lutar
Simplesmente vou devagar
Esquecendo no sonho a mágoa
Que vivo disfarçando dia-a-dia
O diálogo que eu sei conjugar.
 
Luís Fernandes - Amora

 

 

A Verdade dos Factos
 
Sempre, que recebo e leio
Notícias da minha terra,
Mesmo em terra alheia,
Poderei dizer que sinto:
Saudades, prazer e desgosto
Da região – que então lhe chamam –
Formosa, cheia de pena!
Como é obvio as notícias,
Trazem consigo: imagens de acesso,
Descobrindo imagens, que se afastam…
Das dolorosas verdades,
Que formam os factos:
Da vida, nítida e densa.
Á luz da lua e do sol,
Se pronunciam com emoção:
Suspiros lágrimas e amores.
Incultas produções, sobretudo,
Dos idosos e da juventude,
Notai os males e valores!...
Que encanta e enleia os louvores:
Do doce atractivo da cultura.
Na região – que então lhe chamam –
Formosa cheia de pena!
 
 
 
 
 
 
 
Gostaria de ver um dia…
 
Eu gostaria de ver um dia:
A chama viva, cobrindo
O lado onde estou olhando.
Tão sensível e tão bela.
A grandeza da natureza.
Queimam, sem compaixão,
A eterna pureza da criação!
Viva e sem culpa…
Do meu humano olhar, procuro penetrar,
Para afastar o que menos queria,
Neste mundo do bem e do mal:
Onde surge a maldição!
Gostaria de ver, sem ser
Manipulado na opinião:
Que o homem oculta,
Jura e mente…
Porque ele se sente importante,
Para enganar novamente,
O lado onde estou olhando.
Neste mundo do pecado,
Gostaria de ver um dia:
A lei da justiça errada,
Afastar e penetrar, sem dinheiro,
O que existe de mal, no mundo inteiro!...

 


Entrevista ao Confrade Luís Fernandes – Maio 2009
 
Confrades da Poesia - Qual é a tua identidade?
LF – Sou natural da pitoresca Vila de Armação de Pêra, com residência na cidade de Amora desde 1974
CP - Há quanto tempo compões Poesia?
Só depois de ter vivido alguns anos na Suíça é que senti realmente uma forte necessidade de expressar as minhas ideias e sentimentos através da escrita. Durante a minha juventude apreciava já a poesia, mas a minha inspiração adormecida ficou guardada em mim até ao momento certo.
CP - Consideras-te Poeta?
LF – Não um poeta erudito, mas persigo os meus ideais através da minha escrita poética.
CP - O que representa para ti a Poesia?
Para mim tem um grande significado porque já disse várias vezes, que ela é um bem universal.
CP - Concordas com a afirmação: "O Poeta é um fingidor"?
LF – Não! Normalmente o poeta escreve sempre o que lhe vai na alma.
CP - Muitos dizem que os Poetas são loucos, por que anseiam mudar o mundo...
LF – Os poetas não são loucos, mas têm uma visão da vida mais ampla e mais humana.
CP - A Poesia revela em ti uma cultura ou um dom artístico?
LF – Uma conjugação das duas coisas.
CP - Quantos livros já publicaste e para quando o próximo?
LF – Tenho dois publicados e outros para publicar, mas só quando tiver possibilidades financeiras e alguns apoios.
CP - Quais são os teus Poetas favoritos?
LF – O Bocage, do qual me orgulho em ser o nosso patrono… Fernando Pessoa; António Aleixo e outros populares, que ainda estão vivos e activos no Mensageiro da Poesia - Associação Cultural Poética em Amora.
CP - Como defines a amizade: "No que te ínsita ou no que te critica"?
LF – No que ínsita, mas também aceito algumas críticas construtivas, vindas de um amigo.
CP - Qual destes dois critérios te parece o mais correcto:
     "Acreditar e não aceitar; ou aceitar sem acreditar"?
LF – Como primeira análise ambos os critérios se completam, só depois virá o meu discernimento e o meu juízo de valor.
CP - Os Poetas falam e escrevem muito sobre a humildade, mas não o demonstram na prática; a que se deve este comportamento?
LF – Nem todos os poetas estão nesta corrente, contudo também existe alguma arrogância nesta classe.
CP - Porque é que ao fim de 10 anos a Associação Cultural Poética não tem o seu espaço físico?
LF – As autoridades competentes tem sido bastante solicitadas e nós vivemos das promessas.
CP - Dizem alguns membros que isso se deve à inércia de certos elementos da Direcção... concordas?
LF – Não concordo porque apesar do esforço colectivo nem sempre tem sido acolhidas as nossas solicitações.
CP - O que é necessário fazer para que o Boletim do Mensageiro volte a ser publicado mensalmente?
LF – Deve-se a vários factores; por exemplo: ao não cumprimento dos associados no pagamento das quotas, irrisórios apoios das autarquias do nosso Concelho, ao custo elevado do Boletim e às de mais despesas que a nossa associação tem que suportar.
CP - Que objectivos propões alcançar em relação a futuras parcerias?
LF – Um bom relacionamento e unir esforços para que haja um bom intercâmbio, como o que já temos com algumas Academias e Associações brasileiras.
CP - O que representa para ti o Boletim "online" Os Confrades da Poesia?
LF – Um bom órgão de comunicação e divulgação. Aqui deixo os meus parabéns aos seus fundadores; Pinhal Dias; São Tomé e ao grande jornalista Luís Vieira; que seja também extensivo a todos os colaboradores permanentes deste “Boletim Online”. 
CP - Achas que o lançamento deste Boletim foi uma mais-valia para o Mensageiro?
LF – Agora sim, embora duvidasse em Agosto de 2008, mas o tempo foi o meu conselheiro, hoje faz-me acreditar cada vez mais na sua credibilidade.
CP - Consideras útil este tipo de comunicação?
LF – Sim! Os Confrades da Poesia sempre completam algumas faltas do Mensageiro da Poesia e segue uma linha muito selectiva, com base na sua coerência.
CP - Queres acrescentar mais alguma coisa?
LF – Queria que a poesia continuasse bem viva nos nossos corações, por isso é necessário que nos mobilizemos em torno daquilo que os poetas mais gostam de fazer que é “ESCREVER”. Como fundador desta Associação quero também dar uma palavra de apreço aos que mais têm contribuído para o sucesso do Mensageiro da Poesia.
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.confradesdapoesia.pt