"BIOGRAFIA"

"Luís Eusébio"

 
 
Luís Eusébio - Natural de Lisboa - S. Sebastião da Pedreira (24/8/59). Ainda adolescente, conheceu os labirintos do mundo, vivendo em seu país a ditadura salazarista no autêntico estilo "power flowers". Era já a poesia que lhe colocava nas mãos outros instrumentos de luta, permitindo ao rapaz o vislumbramento do mundo com outros olhos (...). Não deu outra, o mundo era seu e o ganhou saindo de seu país, passando pela América Latina, América do Norte e finalmente retornando à Europa, onde permanece até hoje, o que não o afasta dos paises cuja língua praticada seja a portuguesa. (...) Amante indelével da língua portuguesa, respeita A Última Flor do Lácio Inculta e Bela, como a língua mãe de uma só pátria luso-afro-brasileira. Conhecedor que é de outras pátrias e outras línguas, sabe porque a ama e assim torna esse amor indiscutível. A poética de Eusébio, como o próprio afirma, tem como teto, como fonte o mesmo segredo lusitano que encanta e despedaça na mesma medida. E de um povo ser assim, não há explicação e essa realidade deu ao poeta a sonoridade, a melodia da língua latina, a languidez dos sons e do ritmo da língua portuguesa para que melhor possa encantar quem mergulhar no oceano de suas palavras que cantam o amor e a efemeridade dos sentimentos humanos e da própria vida (...). É membro "Confrades da Poesia" - Amora/Portugal
 
BILIOGRAFIA:
 
 
 

Soneto de sempre
 
 
 
Tua presença é só uma camisa suada
de terylene florido e transparente.
Breve ilusão dum corpo ausente
Tanto mais puro quanto mais amada:
Congresso de mãos que acaríciam.
Olhares ternos, quase ridículos.
Doce função em tempos cíclicos.
Bocas coladas que se esvaziam.
Palavras convulsas: Inerentes
Qual espelho mágico coniforme
De que as verdades exsudam.
Coisas das tais irreverentes:
Acordando o que em mim dorme
E me doendo, em si não mudam.
 
Luís Eusébio - Londres
 
 
 
 
Única
 
Única!, é tua boca papuda,
de lábios carnosos carmins.
Sacerdotisa de Vesta sisuda.
Górgona de cabeçudos vis.
 
Desdentada e sem gengivas,
- púlpito de lábios varonis -
senão pelo sorriso cativas,
cativos deixas a quem sorris.
 
E se dos homens és a enseada,
- a doce baía de águas calmas -
dos vindouros és portal da matriz.
 
Orvalhada, latejas quando ceada,
e a tora toda em ti amálgamas
e toda te nutres do que em ti delis.
 
 
Luís Eusébio - Londres
 
 
 
 
O Sorriso
Aqui esmagado sob um céu de chumbo
Memórias do teu sorriso radiante
Tal qual o astro que ilumina o Mundo
E nos aquece e alegra de rutilante.
Dos efémeros momentos passados
Do desejo, do sexo, mesmo da mágoa
Dos sentimentos de ganga desbotados
Pelas distâncias de tempo e água,
Não há memória além da do sorriso
Polido, franco e cintilante,
A culminar o gesto indeciso
Que nos uniu num beijo electrizante.
Assim que aqui sob um céu imundo,
Aconchegado na minha memória,
Sobra-me apenas o calor profundo
Desse sorriso que passou à história.
Luís Eusébio
 
 
Estar sem ti
 
Estar sem ti é o vazio.
A solidão mais profunda.
É viver num desvario.
Fazer da vida rotunda.
Estar sem ti é o não estar
Onde por virtude esteja.
É sentir o peito rasgar
Por saudades da cereja.
Esse fruto que me deste
Na ternura, no olhar
Nesses lábios, no beijar:
Sonhos nos meus depuseste.
 
Luís Eusébio - Londres
 

 

Busquei felicidade uma vida Até descobri...
 
Busquei felicidade uma vida
Até descobrir que, por fim,
Essa emoção mais querida
Vivia dentro de mim.
(E, nesta busca perpétua,
Hei-de viver inseguro
Procurando encontrar em mim
O que sou quando a procuro.)
 
 
Luís Eusébio - Londres
A Verdade
 
 
 
Não sei se estou certo ou errado
Não sei se vejo o que não existe
Se serei o inocente ou culpado
Apenas que, sem ti, fico triste.
 
Não sei se é Inverno ou Verão
Se é de noite ou já é de dia.
Nem sequer sei que horas são
Só busco a tua companhia.
 
Não sei se é por mim que choras
Ou se choras sem saber por quem
Se será a palavra que penhoras
Tão valiosa para ti também.
 
Só sei que te busco e quero
E em te buscando te perco
Pensando que te recupero
Sempre que de ti me acerco.
 
A iniludível verdade é uma,
Coisa pouca, sem discussão:
Separa-nos um mar de espuma
Que nos não separe o coração.
 
 
Luís Eusébio
 
 
 
 
e-Ternamente
 
Se te amar é pecado
Eu quero ser pecador
Em cada beijo trocado
Ou cada gesto de amor.
Pecar e ser amado
Nessa mesma proporção
Em que sendo o teu pecado
És a minha perdição.
E, ao amar-te, pecadora,
Coisa tão contra-natura,
Sonho ver-te sonhadora
Na fogueira da ternura.
O pecado original
Seria só converter
O nosso amor virtual
Numa noite de prazer.
Para um amor querubino
Mil noites seriam pouco.
Tenho escrito no destino:
Para sempre ou ficar louco.
 
Luís Eusébio - Londres
 
 
 
 
Existir
 
Toda a existência é efémera,
Como a efemeridade, ela própria.
Existirmos é não estarmos sós,
Ainda que habitados pela solidão.
Existirmos,
É sermos cúmplices de nós próprios.
É ousarmos percorrer
Todos os caminhos ignotos,
Dentro de nós e dos outros.
É sermos um átomo de "Deus".
Porque, "Deus", nao é mais
Que nós próprios,
Elevados a uma potência
Telúrica imensurável.
Porque, "Deus", só existe
Na medida, exacta,
Da nossa efémera existência.
E, só é eterno, na infinita
Transmutação cósmica.
 
 
 
Luís Eusébio - Londres

 

 
 
 
 
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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