"BIOGRAFIA"

"José Caldeira Gonçalves"

 
 
José Maria Caldeira Gonçalves nasceu a 9 de Julho de 1940, em Malpica do Tejo, concelho de Castelo Branco. O seu primeiro livro foi publicado em Julho de 2014, sob o título “Malpica que minhas saudades teces…”. Foi nesta aldeia que após a instrução primária, e ao completar os 11 anos, se iniciou nos trabalhos do campo a guardar gado e, um ano depois, a lavrar com uma junta de vacas. 
Aos 14, rumou a Castelo Branco, onde aprenderia a profissão de serralheiro civil. Com a abertura da Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco, no ano de 1956, tornou-se trabalhador estudante e foi ali que fez o Curso Geral de Comércio. Aos 17 anos e para dar continuidade aos bons resultados obtidos na Escola, a gerência da empresa metalomecânica onde trabalhava, ofereceu-lhe um lugar nos seus escritórios. Dedicando-se com sucesso, à profissão ora abraçada, foi através dela que singrou na vida como contabilista. Prestou serviço militar obrigatório, durante 4 anos, tendo feito a Guerra do Ultramar em Angola de 1962 a 1965. Foi Chefe da Contabilidade da empresa Holding de um grande grupo económico, de onde passou a Director Financeiro e Administrativo de uma das empresas do grupo. Com a crise de 1983, veio o desmoronamento total do mesmo, e constituiu então, a sua própria empresa, cuja razão social era Aciplam - Comércio de Rações e Equipamentos Agro-Pecuários, Lda. Começa aqui a homenagear a sua terra, pois “aciplam”, era o seu nome lido do fim para o princípio. 
Tem trabalhos dispersos em algumas publicações, nomeadamente na Antologia Poética da Poesia da Guerra Colonial, no livro Rumos, publicado pelos alunos finalistas de Português do Curso Geral de Comércio e no livro BCAV 399 Os Cavaleiros de Cavalaria, entre outras. Versejou desde muito novo, até aos 23 anos, aos quais se seguiu um interregno de 47, pois só voltou a escrever depois dos 70, após reforma. 
Se lhe for permitido continuará a fazê-lo com imenso prazer, segundo diz. Tem Mural no Facebook.
É membro de “Confrades da Poesia” – Amora / Portugal
 
Bibliografia:
“Malpica que minhas saudades teces…”; "Ter Saudade"
 
Sites / Blogs: -
Tem Mural no Facebook
 
E-mail:
jotaemecaldeira@hotmail.com
 
Ter saudade
 
 
Ter saudade, é um estado de alma
Que na vida, às vezes nos procura.
É viajar num deserto sem vivalma,
É viver num colo cheio de ternura.
 
Se às vezes nos embala e acalma,
Outras há, que nos rói com tortura.
É como as flores daquela palma...
Que podem ter espinhos e doçura!
 
Ter saudade é termos o sentimento
Que na vida há sempre o momento,
Em que a soma dos anos - a idade,
 
Nos põe na lembrança, as imagens
De ternas, belas e longas viagens!...
E transforma o amor em saudade!
 
 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
 
 
 
Não sou poeta, tampouco erudito
 
 
Não sou poeta, tampouco erudito.
Sou um sonhador que por vezes escreve...
Com alma, sobre o que julga bonito,
Com coração sobre o que se atreve!
 
Canto a minha aldeia e o amor,
Bem como o que ela me ofereceu,
Vida, sonhos, saudade e, sem favor
A pureza de quem por aqui padeceu!
 
A humildade da sua alma nobre,
Tão natural como o era ser pobre,
Ao desbravar montados e olivedos!...
 
E em negação, canto o egoísmo
Como se fosse prece de exorcismo,
Tendente a expulsar todos os medos!...
 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
 
 
 
Debates, comícios...
 
Debates, comícios e arruadas,
São cenas importantes,
De participações ordenadas,
Dos políticos e apoiantes,
 
Se acompanhados da honestidade!...
 
Quantas almas desfeitas,
Quantos valores recusados,
Por acções de forças eleitas
E de políticos mal fornados,
 
Esquecidos da honestidade!...
 
Os seus contraditórios
São novelos emaranhados,
Para entreter os simplórios...
 
Ativamente empenhados,
Numa ansiedade louca
Procuram a cenoura,
Com que encherão a boca
Quando sentados à manjedoura!
 
Já terão então perdido a honestidade!
 
 
 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
Voar sobre o tempo
 
 
Somei aos sonhos alegrias,
E às esperanças um desejo.
Distribuí o amor pelos dias,
Com um abraço e um beijo!
 
Adicionei vales aos montes,
Troquei searas por carinhos,
Ofereci as nuvens às fontes,
E subtraí às árvores ninhos!
 
Misturei água com a tristeza,
E encaminhei-as para o mar...
Juntei aos caminhos a beleza,
E prendi à felicidade o olhar!
 
Grata esta bucólica sensação,
De amar a natureza onde vivi,
Põe a felicidade no coração,
Que ao vê-la, feliz lhe sorri!
 
 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
 
 
 
 
O meu universo
 
 
Construí o meu universo,
Com pedaços de poesia
E, em cada sonho disperso
Deixei gotas de alegria!
 
Na construção imaginada
Ousei colocar a Bondade,
Pela Justiça ladeada,
Bem à frente da Liberdade!
 
Porém, as vozes discordantes
Colocaram-nas bem distantes
Obrigando-as ao mutismo!...
 
Mesmo na velhice sem cura,
Eu vos peço com amargura,
Lutem, mas por idealismo!

 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
 
 
 
 
 
Solidão
 
Nos montados de perene folhagem,
Triste, deixei um dia meu coração!
Ainda hoje, ouço o grito da solidão,
Naquela extensa e verde paisagem!
 
Um grito de uma solidão diferente
Da que hoje sinto, sem a esperança
Que tinha nos caminhos de criança,
Quando o sonho ainda era presente!
 
Mas vida, é sucessão de momentos,
As fontes de sorrisos e de lamentos
Que nos abrem e fecham o coração...
 
Ao abrir, entram o amor e a saudade,
Ao fechar, e restringida a liberdade,
Nasce então, a mais terrífica solidão!

 
 
 
José Maria Gonçalves - Fernão Ferro
   
   
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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