"BIOGRAFIA"

 

"Ismael Gaião"

 

Poeta Ismael Gaião da Costa – nome literário “Ismael Gaião” natural da terra do Cavalo Marinho, folguedo folclórico tradicional da Zona da Mata de Pernambuco, no município de Condado, a 07 de Maio de 1961. A residir no Recife – PE, é engenheiro agrônomo, mestre em Melhoramento Genético de Plantas, servidor público da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.

Autor de inúmeros cordéis e poesias, Gaião é afiliado à União dos Cordelistas de Pernambuco (UNICORDEL), como poeta declamador, cujo primeiro livro publicado foi: Uma colcha – cem retalhos. (CEPE, 2011).Apresentou espetáculo em parceria com outros colegas poetas: Estandi-upi de Poesia Matuta, com o poeta Felipe Júnior. A comédia apresenta fatos e eventos cotidianos; e Tripé da Rima, com a poetisa Susana Morais e o poeta Felipe Júnior. Ainda com a parceria de Felipe Júnior, lançou o CD de poesias declamadas, Causos e cordéis (2010). Com o melhor do humor de nossa cultura, ou melhor, mau humor, apresentou Seu Lunga, personagem do folclore nordestino. Tem mural no Facebook; ligado ao “Recanto das Letras” – Br – Actual membro de “Confrades da Poesia” Amora / Portugal.

 
 
Bibliografia:
Uma colcha – cem retalhos. (CEPE, 2011).
 
Sites: -

https://www.facebook.com/ismael.gaiao - http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=50436&categoria=7

 

TÔ SOZINHO, TRISTE, LISO, ESQUECIDO E ABANDONADO

(Baseado em um tema de Marcelo Santos  – Condado - PE).

Eu não tenho outra saída,
Vou beber mais aguardente,
Pra me’squecer do presente
E das tristezas da vida.
Minha noite é mal dormida,
Sem ter alguém ao meu lado;
Já não tenho me alegrado
Faltando o que mais preciso...
Tô sozinho, triste, liso,
Esquecido e abandonado.

 

Ismael Gaião - Recife

 

 

A ÁRVORE QUE MEU PAI PLANTOU

 
Meu pai foi um homem simples,
De sorriso encantador,
Simpático com todo mundo
E muito respeitador.
Por isso, em nossa cidade,
Fez um círculo de amizade
De invejar qualquer doutor.
 
Gostava de dizer loas
Quando bebia aguardente.
E os versos que ele dizia
Eu tenho todos na mente.
Os seus olhos tinham brilho
Quando dizia a um filho
Que um homem sério não mente.
 
Com mais de sessenta anos,
Meu pai não se acomodou.
Filhos, já tinha à vontade,
Mas livro não publicou,
Pois seu estudo era pouco,
Porém já cansado e rouco,
Uma árvore plantou.
 
Em uma pequena praça
Da Rua José Gaião
Meu pai cavou um buraco,
Dando enxadadas no chão
E plantou uma mudinha
Com esterco de galinha
Chegando terra com a mão.

Com muita satisfação
Da plantinha ele cuidava.
Fez uma cerca de arame
Limpava o mato e regava.
Espiava todo dia
Pra ver como ela crescia
E vez por outra adubava.
 
Foi um pé de Pau Brasil
Que ele plantou nessa praça,
Na frente de nossa casa,
Onde muita gente passa.
Mas alguém matou a planta...
Senti um nó na garganta
E a praça ficou sem graça.
 
Ismael Gaião
 

 

SEM PAZ E SEM SEGURANÇA

 

O que faz-se, hoje em dia, com as mulheres
Não é certo, é só falta de respeito!
Pois impõem: “Se querem ter sucesso,
Vão ao palco, mostrando bunda e peito”.
 
Para o povo o que a mídia expõe, de graça,
São os jovens que, na televisão,
Mostram tudo, trocando intimidades
Pra correrem atrás de um vil milhão.
 
Que futuro terá nosso País,
Se os políticos só pensam em roubar,
Fazem leis para si, por proteção,
E a Justiça se nega a enxergar?

Se não querem investir na Educação
E abandonam ao relento uma criança,
Vão jogando no lixo seu futuro
E seus pais vão perdendo a esperança.

Hoje em dia, o modelo de família
É aquele que tem vida mundana,
Onde o homem não pode ser honesto
E a mulher pra ser chique é leviana.
 
Se os bandidos circulam pelas ruas,
Praticando sequestro e até matança,
As famílias em grades vivem presas
Condenadas, sem paz, sem segurança.

 

Ismael Gaião – Recife

 

 

MUSAS PRA MEUS POEMAS

 

 

Do cedro ao mandacaru,
Do concriz às seriemas,
As cenas do Pajeú
São musas pra meus poemas.

 

Ismael Gaião

SEU LUNGA, tolerância zero
 
 

Eu vou falar de Seu Lunga
Um cabra muito sincero,
Que não tolera burrice
Nem gosta de lero-lero.
Tem sempre boas maneiras,
Mas se perguntam besteiras,
Sua tolerância é zero!
Ao entrar num restaurante
Logo depois de sentar,
Um garçom lhe perguntou:
O Senhor vai almoçar?
Lunga disse: não Senhor!
Chame o padre, por favor,
Vim aqui me confessar”.
 
Ismael Gaião – Recife/BR
 
 
 
 
Desejo de ser poeta.
 
 
Não entendo porque me abandonaste
Se contigo fiz versos com beleza
Descrevi uns instantes de tristeza
Na alegria que me proporcionaste
 
Hoje eu sou pavilhão órfão da haste
Ou um rio sem sua correnteza
Já não faço um só verso com destreza
Num poeta menor me transformaste
 
Se não voltas meu mundo perde a graça
Sou um ébrio sedento sem cachaça
Vivo a esmo sem rumo e sem ter meta
 
Vem depressa, oh bendita inspiração
Sacudir meu sofrido coração
Que deseja demais ser de um poeta.
 
 
Ismael Gaião – Recife/Br
 
 
 
 
 
 

A SECA NO SERTÃO

A chuva molhando a rede
Que tá na minha varanda
E eu pensando noutra banda
Onde o gado sente sede.
Olho pra minha parede
Vejo um quadro do sertão,
Onde os sertanejos vão
Passando dificuldades
E as nossas autoridades
Sem dar a mínima atenção.

Quem perde uma plantação,
Que morre por falta d’água,
Sente no peito uma mágoa
Que é de partir coração.
E os “donos” dessa nação
Não pensam na nossa gente
Que debaixo do sol quente,
Vendo seu gado que morre,
Chora que a lágrima corre
Como quem perde um parente.

 

Ismael Gaião - Recife

 

PARA SER UM CIDADÃO

 

Para ser político sério
E popular de verdade
É preciso ter vergonha
E também dignidade,
Sem viver criando atalho
Quando faz algum trabalho
Em prol da comunidade.

Pra fazer bem à cidade
E sua população
O político só precisa
Cumprir sua obrigação,
Sem nunca fazer barganha,
Nem inventar artimanha
Pra fazer corrupção.

Hoje todo cidadão
Necessita observar,
Os que estão no poder
E os que querem entrar,
Procurando conhecer
Para saber escolher
Na hora que for votar.

É preciso analisar
Para escolher direito
E não cair na besteira
De votar em um sujeito,
Que prega ser a mudança
E só fala em esperança,
Mas não tem, sequer, respeito.

Só quem age desse jeito
É um político ruim
E não merece respeito
Candidato que aje assim.
Por isso para votar
Você tem que observar
Tudo, tintim por tintim.

Dignidade pra mim
Faz parte da formação
E é preciso ter isso
Para ser um cidadão,
Porque a honestidade
Não é uma qualidade
É só uma obrigação.

 

Ismael Gaião - Recife

   
   
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.osconfradesdapoesia.com