"BIOGRAFIA"

"Isabel C. S. Vargas"

 
Isabel Cristina Silva Vargas - Natural de Pelotas - Rio Grande do Sul /Br - Nascida a 26 de Novembro de 1951
Formação no Magistério, em Direito, Licenciatura em Direito e Legislação e Legislação Aplicada, Capacitação em Direitos Humanos, Pós-Graduação em Sociologia, Especialista em Linguagens Verbais, Visuais e suas Tecnologias. Formada em Inglês e Italiano. Trabalhou vários anos como professora, depois fez concurso para o serviço público federal onde trabalhou até a aposentadoria. Fêz 01 ano de Oficina Literária. Publicou cerca de 300 textos ( crónicas , contos, poesias) no Diário da Manhã-Pelotas-RS e em outros jornais . Já teve textos publicados no Jornal A Página em Portugal, além de outros sites, em seu blog na internet, além de publicações em Coletâneas e Antologias. Primeiro Lugar em conto no concurso internacional Florada de Emoções II, promovido pelo site Celeiro de Escritores.org, segundo lugar em crônicas e terceiro lugar em poesia. Vinculada às entidades de classe como OAB/RS, SINAIT, AGITRA, ABMCJ.
Já participou de cerca de 70 publicações - Participa do Clube Brasileiro da Língua Portuguesa-BH-MG,  Brasil.
É membro de "Poetas Del Mundo"; "AVSPE"; "Confrades da Poesia" - Amora / Portugal. Participa do Projeto Stephanos e integra o Conselho de Colaboradores do Site http://clicrbs.com.br/pelotas. Trabalho académico publicado na Biblioteca on Line  de Comunicação em Portugal - http://bocc.ubi.pt/pag/bocc-lima-publi.pdf Republicado pela Centro Universitário do Leste de Minas Gerais. Participou da Antologia Literária Cidade IV,V,VI, Agenda 2011, e outros em andamento.  

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Sites e Blogs: http://isabelcsvargas.blogspot.com/  -  http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=2739

 

Lágrimas
 
                                                                           Isabel C.S.Vargas
                                                                                                      Conto
 
 
                  A manhã era chuvosa, prenúncio de que o dia seria sem cor, gelado como era sua pele na manhã de inverno. A ausência de sol deixava o dia igual sua vida: sem brilho.
                  Não esperava nada diferente naquele dia, até que o barulho da campainha tocada apressadamente, como se alguém tivesse pressa a surpreendeu. Atendeu.
 Ao abrir a porta: Surpresa!Era sua irmã. (Não a via há muito tempo) Desde a morte de seu pai, encontravam-se esporadicamente. Falavam-se pouco. Viviam distanciadas. Quando se encontravam não tinham muitas coisas boas para lembrar. Só as dificuldades. Preferia esquecer. Surpreendeu-se com o abraço da irmã.
- O que aconteceu?- Indagou. Pareces muito aflita.
 Marta, entre lágrimas respondeu:- Estou só! Felipe partiu sem conversa, sem explicação. Só uma carta. Tornou a abraçar Beatriz.
Ela permanecia imóvel. Não estendia os braços. Não se movia. Não dizia uma palavra. Parecia longe dali. Imaginou-se no lugar de Marta. Se acontecesse com ela? Não sabia responder. Lembrou-se de Antenor, dos abraços carinhosos de outrora, dos planos, dos risos alegres, dos filhos, dos momentos felizes, dos olhares cúmplices.Não sabia definir o que se passava.Lágrimas quentes, silenciosas escorreram.Estendeu os braços. Trouxe Marta para junto de seu peito. Há muito não chorava.Era uma sensação estranha, mas parecia aliviada.Sentiu que desejava um abraço, um aconchego, calor humano.Sua pele estava quente. Seu coração parecia derreter.
 
 
 
  POESIA EM FORMA DE CONTO
                                                                          
                                                                           Isabel C.S.Vargas
 
         Desejo partilhar o encantamento com a leitura de um livro de Mia Couto.
São vinte e nove contos escritos com habilidade e com a magia característica de quem tem o dom de criar palavras (neologismos) e com elas brincar, tecendo histórias de vidas e de sonhos.
         Alguns trechos me faziam lembrar de minha professora de literatura, ao dizer, parafraseando Schopenhauer, que literatura boa é aquela que não se esgota em uma leitura, mas sim a que a cada leitura descobrimos algo novo. Em outras me faz lembrar minha amiga Estrella, cujas palavras são sempre envoltas numa aura poética que só aqueles que veem o mundo com olhos diferentes conseguem transcrever e por isto mesmo são pura magia. Percebem poesia em cada olhar, em cada momento do cotidiano.
         Em meio a comoventes histórias (como a do menino que queria morrer e por isto propôs ao avô trocar de lugar com ele), descobrimos lições como as que abaixo transcrevo:
 -“Criancice é como amor, não se desempenha sozinha. Faltava aos pais serem filhos, juntarem-se miúdos com o miúdo. Faltava aceitarem despir a idade, desobedecer ao tempo, esquivar-se do corpo e do juízo. Esse é o milagre que um filho oferece – nascermos em outras vidas”.
Em outro conto sobre a avó que não entendia a viagem do neto para viver em um hotel onde aqueles que o acompanhariam no dia a dia eram meros desconhecidos, sem saber o nome de quem lhe prepararia o alimento, temos uma visão poética do cotidiano: “Cozinhar é o mais privado e arriscado ato. No alimento se coloca ternura ou ódio. Na panela se verte tempero ou veneno. Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros.”... Para esta avó um país estrangeiro começa onde já não reconhecemos parente.
Sobre o menino que fazia versos e não era compreendido, motivo pelo qual foi levado ao médico como se enfermo fosse retiramos o diálogo abaixo:
Ao ser inquirido pelo doutor sobre se algo lhe doía responde:
-Dói-me a vida, doutor.
-E o que fazes quando te assaltam essas dores?
-O que melhor sei fazer, excelência.
-E o que é?
- É sonhar.
 Na epígrafe deste conto, temos o verso do menino que fazia versos:
De que vale ter voz se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar se o que vivo é menor do que o que sonhei?
 
Nas palavras de Mia Couto percebe-se ritmo, como no primeiro parágrafo do conto Meia culpa, meia própria culpa:
“Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora.
Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade.”
De história em história vamos descobrindo encontros e desencontros, dores e alegrias, sonhos e realidade, numa forma característica do autor, que retrata a fala do homem da sua terra natal, Moçambique, revelando entre os erros e acertos de cada personagem a humanidade de todos nós.
 
 
 
SÓ MESMO DRUMMOND...
 
                                                                  Isabel C.S.Vargas
 
           O texto de Drummond, o grande e maravilhoso que é capaz de extrair poesia de pedra, nos faz pensar, refletir sobre o que fazemos – escrever - por profissão, deleite, necessidade, vocação, ou qualquer que seja o motivo.
         Os meios de comunicação além de informar, formam e transformam pessoas, opiniões, comunidade, um país inteiro, se for necessário (quantos já caíram do pedestal, por interferência dos meios de comunicação), por força de fatos revelados ou por revelação de omissões nefastas, tipo aquela de Pilatos, de quem lavou as mãos, embora elas não estejam limpas.
         Bem, voltando ao mago das palavras... Para que não fiquemos “cheios de si”, com um certo ar de importante pelo fato de escrevermos crônicas, de termos a ousadia de publicá-las e achar que transformamos o mundo, ou as pessoas, só porque dizemos algo ,ou melhor, nos atrevemos a dar nossa versão sobre determinado assunto, ou relatar experiências que nos tocaram e que pode ser do agrado de alguns leitores é bom dar um lida no que ele diz sobre o ato de escrever.
Escrever impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a purê de palavras.
 O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam, para depois comentá-los com a maior cara-de-pau ("com isenção de largo espectro", como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego — às vezes nem isso... Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita — por hipótese — transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever «O Capital» é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu «O Capital». Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Já revelei em outras ocasiões o quanto gosto de Drummond, do que e como escreve. Apesar de fazer esta crônica com seu prazeroso texto (há quem diria delicioso, mas sou do tempo que só se usa delicioso para coisas comestíveis) vou me permitir discordar um pouco do que ele diz (até para me justificar de aqui estar).
Todo aquele que se atreve a comentar sobre os fatos do cotidiano, não o faz por ser ou estar sereno (nem ele próprio), superior, mas por ter sido tocado por tais fatos, por outros textos, por uma palavra numa conversa informal com outrem, por acontecimentos fortuitos, quer de maneira negativa ou positiva a ponto de não conseguir guardar para si todo o sentimento produzido (alegria, tristeza, inquietação, admiração, indignação) dividindo-o com os leitores. Creio que conseguimos ter olhos sensíveis para os acontecimentos, (não que outras pessoas não possuam) por mais banais que possam parecer, só temos a ousadia de dar nossa opinião e de mostrar de que modo fomos atingidos. Neste processo, muitos se identificam e gostam (nosso público leitor) outros discordam, e um outro percentual nem foi atingido pelo que escrevemos e seguem sua vida independente das letrinhas colocadas no papel.  Enquanto isso, como diz o poeta, um imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva.
 
 
POR QUE ESCREVEMOS?
                                                                                     Isabel C. S. Vargas
 
         Muitas pessoas têm facilidade para colocar no papel suas idéias. Outras, nem tanto. Há ainda as que não acham necessário fazê-lo, embora tenham aptidão para tal.
         Inúmeras pessoas têm o hábito de escrever. Os diários da época de adolescência,
caracterizam o início de um hábito que por vezes perdura até a idade adulta. Entretanto, quem se atreve a tornar isto público, não são tantas assim. Há o temor da crítica, da exposição e até das diferentes interpretações que nossas palavras podem suscitar. Entretanto, depois que começamos a fazê-lo, o temor inicial desaparece e as palavras vão fluindo com mais segurança.
         Há quem possa escrever para ter reconhecimento, mas há quem tenha encontrado a sua maneira de se expressar, de se posicionar no mundo, de passar experiências vividas, de externar sentimentos, opiniões, posicionamentos que poderão até auxiliar outras pessoas que vivam situações semelhantes, que se identifiquem com as colocações, ou que muitas vezes necessitem de uma palavra que as façam ter coragem de empreender uma nova tarefa, uma mudança e até mesmo perceberem que todos temos dificuldades, dúvidas, inseguranças.
         Muitas vezes nos reconhecemos através do que percebemos no outro. Podemos gostar ou não. Geralmente quando não gostamos de algo que percebemos, temos oportunidade de nos questionarmos e corrigir aquilo em nós mesmos, assim nos aperfeiçoamos, crescemos e melhoramos os nossos relacionamentos.
         Creio que nossas imperfeições nos dão a dimensão de nossa humanidade, de quanto temos que aprender, mas que podemos melhorar a cada dia, buscando sempre aperfeiçoamento espiritual.
Ao escrevermos, colocamos nossas idéias em ordem, vemos com mais clareza determinadas situações, compreendemos melhor determinados sentimentos, produzindo até mesmo um efeito mágico, fazendo certas dificuldades ou temores sumirem à medida que os escrevemos e nos defrontamos com eles.
         È também uma forma de chegar aos mais diferentes tipos de pessoas, permitindo que possamos nos identificar, independente de posição social, credo, raça, idade ou sexo.
         Conseguimos perceber que vivenciamos situações idênticas, mas reagimos de maneira diferente, levando em conta nossas experiências, nossas convicções, nossa maneira de ser, Temos a chance de perceber que mesmos acontecimentos tem efeitos diferentes nas pessoas e a maneira como os encaramos e a eles reagimos é que vai fazer a diferença. Uns se deixam aniquilar, outros encontram forças para recomeçar mais fortalecidos.
Creio que ao escrever, empreendemos uma viagem para dentro de nós mesmos, dando-nos a possibilidade de entender que a felicidade está no bom uso que fazemos daquilo que temos e que a real importância de escrever é conseguir tocar o coração das pessoas.       
 
Sopro
 
 
Chove lá fora
Aqui dentro também...
Uma pequena chama
Arde incessantemente
Para afastar a escuridão
Quebrar o gelo da morte
E lembrar que somos todos
Como esta chama
Que a qualquer momento
Pode apagar
E como obra
De um sopro Divino
Sempre voltamos ao Criador.
 
Isabel C.S.Vargas
 
 
 
 
ENIGMA
 
 
 
Um pedaço do céu,
Um raio de sol,
Uma nuvem branca
Um sopro
Um bater de asas
Uma lágrima
 
Uma lagoa imensa
Um céu encantador,
O sol radiante
Pássaros em festa
Uma ausência dilacerante
Um rio de lágrimas
 
Universo indecifrável
Ausência sentida
Ser onipresente
 
 
 
Isabel C.S.Vargas 
 
 
Aprendizado
 
 
Aprendi com a dor
Que só tem real valor
Os momentos vividos
As palavras trocadas
Os sorrisos de alegria
As lágrimas de felicidade
Os beijos sinceros
Os afagos fraternos
Os abraços amorosos
Os olhares que enxergam a alma
Os gestos espontâneos
De cuidado, amor e generosidade.
 
 
Isabel C.S.Vargas
 
 
 
 
SANGRIA
 
Pelas palavras
Sangro minha dor
Externo meu amor
Palavras de sangue
Cheias de saudade
Palavras de desafogo
Elos de almas
Unidas na dor.
 
Isabel C.S.Vargas
 
 
Vazio
 
Quero sair a vagar
Para tentar te encontrar,
Mas meus pés
Permanecem fixos no chão,
Aprisionados, imobilizados.
Tudo é confuso.
Sou apenas um corpo
Cuja alma fugiu
A procura da tua.
 
Isabel C.S.Vargas
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.osconfradesdapoesia.com