"BIOGRAFIA"

"Humberto Rodrigues Neto"

(Falecido)

 Humberto Rodrigues Neto - Nasceu em São Paulo, Capital, em 11-11-1935, é viúvo e aposentado da antiga Light, hoje Eletropaulo, onde trabalhou longos anos com redacção.
Desde muito cedo, no grupo escolar, adorava folhear aquelas cartilhas e encontrar poesias ainda simples, mas que o encantavam sobremodo, paixão essa que recrudesceu quando, já no ginásio, rebuscava bibliotecas em busca de poemas mais adultos, passando, daí em diante, a ler quase todos os grandes poetas brasileiros, portugueses e espanhóis, além de traduções dos franceses, italianos e ingleses. Embevecia-se e invejava-lhes a técnica com que tais poetas compunham seus poemas, em especial sonetos, que considera a mais bela e expressiva manifestação dos sentimentos humanos. Não tem livros impressos, mas sim digitais. Participou, com outros poetas, da VI Antologia “Palavras de Poetas”, editada em 1966 pela Physis Editora Ltda.; foi premiado no I e II Concurso Nacional de Poesia ”Menotti Del Picchia”. Teve o 1º lugar no 3º Concurso Nacional de Sonetos, patrocinado pela Estância da Poesia Crioula – Rio Grande do Sul. Recebeu a menção honrosa no XI Certame Cultural de Poesias da Secretaria de Educação de Guarulhos – SP, assim como no Concurso de Poesias do C.T.A., de São José dos Campos – SP e no IV Concurso de Trovas/2008 da UBT-Maranguape.
Fora da poesia tem alguns contos, diversas crónicas, em estudos comparativos, que fez entre o Espiritismo e as demais religiões, e duas peças teatrais: “Extorsão” e “Sempre Há Sol Depois da Chuva”, além de um “sketch” teatral infantil: “Sonho de Criança”.
Está ligado a vários portais. Actual membro de “Confrades da Poesia” – Amora / Portugal.
 
Bibliografia:
Seis e-books:  “Metrificando Sonhos”;  “Rabiscando Rimas” ;  “Revérberos”; Degustando Trovas”; “Solfejando Sonetos”; “Carinhoso” – sendo, os dois últimos, elaborados em parceria com Regina Coeli.
 

NADA!
(à minha esposa, in memorian)
 
 
 
Ela se foi, Senhor! E tão distante
vai ficando o meu tempo de ventura...
Em mágoa acerba vou seguindo adiante,
sucumbido a esta cármica amargura!
 
Até a floreira, outrora luxuriante,
que ela cuidava com gentil candura
mirrou, numa apatia agonizante,
solidária com a minha desventura!
 
Oh! Meu Deus, que sois justo e onipotente,
dispensai-me um minuto de bondade
e ouvi da minha prece o tom plangente:
 
se sentis quanto punge esta saudade,
afastai-a de vez da minha mente,
ou dai-me ao lado dela a eternidade!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SABIÁ
 
Quando foste àquela casa,
ao ruflar de cada asa,
que é que foi que viste lá?
Viste alguém de lindo rosto,
que se traja com bom gosto...
não foi mesmo, sabiá?

Pousaste na laranjeira
que se ergue bem fronteira
com seu quarto de dormir...
Que tem ela mais que as outras,
que vês nela mais que noutras
no teu eterno ir-e-vir?

Desconfio, meu sabiá,
que o que te leva até lá
é algum secreto pendor...
Sei que és dela o menestrel
cuja boca anseia o mel
que flui de tão linda flor!

Mas não vás mais atrás dela,
nem voltes à sua janela
se queres conselhos sábios.
Desfaz os teus sonhos, pois
alguém já privou nós dois
da corola dos seus lábios!
CONFIDÊNCIAS DE UM CORAÇÃO
 
 
 
 
Não se perca quem ande no meu rumo
e muito menos tu, minha querida;
mas não tentes mudar a minha vida,
nem verticalizar meu torto prumo.
 
O inclinar-te a uma ação mais atrevida
está nos sentimentos que eu assumo
e nunca na razão, pois não costumo
tomá-la por parâmetro ou medida.
 
És tu quem forças-me pra te acenar
com os falsos ouropéis de um vão sonhar
e os fátuos brilhos de um amor qualquer.
 
 Assim, não me é possível compreender
que anseios moram no febril bater
do inquieto coração de uma mulher!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPARAÇÃO


Quando me pedes pra que eu nem comente
o alívio que me prestas na amargura
dos dias cinzentos, quando a desventura
paira sombria sobre a minha mente,

em frase mansa tua voz me assegura
que tais mimos já te pago regiamente
com os versos que te faço docemente,
te alçando a mundos de irreal ventura.

É por demais gentil teu julgamento,
pois com igual parâmetro mensura
o nosso desigual merecimento.

Não sei o que é melhor no que ele apura,
se o pouco que te dei de encantamento,
se o muito que me deste de ternura!
 
 

 
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.confradesdapoesia.pt