"BIOGRAFIA"

"Filipe Paixão"

 
Carlos Alberto Silva Lopes; assina-se com o pseudónimo «Filipe Paixão», nasceu em 1970 na cidade do Porto.
Apesar de licenciado em matemáticas aplicadas, nunca conseguiu resistir à paixão pelas letras e desde cedo, desenvolveu o gosto pela escrita.
 
Apreciador de psicologia, por imperativos pessoais desenvolve vários estudos sobre a mente humana, centrando a sua atenção no cruzamento do racional com o emocional.
Na sua primeira obra “O Bilhete” (1ª edição Dez/2007, 2ª edição Jul/2008), são evidenciadas estas duas correntes e explorados os pensamentos e sentimentos, quando colocados numa situação de confronto directo.
“Palavras de Mim” é dentro da mesma linha, uma colecção de observações, vivências, pensamentos e sentimentos.
É membro de "Confrades da Poesia" - Amora / Portugal 
 
Bibliografia:
Romance: “O Bilhete” (1ª edição Dez/2007, 2ª edição Jul/2008)
Prosa Poética: “Palavras de Mim” (Mar/2009)
 
Site: - http://www.filipepaixao.com - Blog: -  http://taradisses.blogspot.com
 
 
Posso eu ser
 
 
Pode um rio nascer no meu peito,
E pela vida, correr sem leito,
Apenas para te encontrar,
E nessa foz que és tu, desaguar?
 
Pode uma flor brotar na minha pele,
Num desígnio de primavera sem fim?
 
Posso eu ser natureza, mar, margem ou vento,
Conter o sol nos meus olhos fechados,
Ou toda a lua no meu pensamento?
 
Posso eu ser um jardim por inventar?
Uma tela continuamente por pintar?
Palavra por falar?
Onda sem mar?
 
Posso eu ser poema para te cobrir,
Palavras para te vestir,
Ou simplesmente…
…poeta, para te sentir?
 
Carlos Lopes – Porto
 
 
 
 
 
 
Minha Palavra Saudade
 
 
Gostava de te conseguir mostrar,
A real dimensão da minha palavra saudade.

O tempo que ela encerra
para lá do que leva a proferir as suas três sílabas
mesmo que em todas elas se espacem pausas.

Os sentires que ela contém
muito além das suas sete letras
por entre todos os espaços que nelas se aninham.

Gostava de te conseguir mostrar,
A real dimensão da minha palavra saudade.

O quanto do encher do peito, só por te pensar,
O quanto do calor do arrepio, só por (não) te saber,
O quanto da dor do silêncio, pela tua não presença…

O teu prato (sempre) vazio e inerte na mesa,
Os grãos de pó que não se levantam por ti,
O soalho que não range pela força da tua passagem.

Gostava de te conseguir mostrar,
A real dimensão da minha palavra saudade.

Este acelerar
nesta calmaria doente,

Este estagnar
nesta correria demente,

Esta alegria
nesta tristeza premente,

Este simples q u e r e r
do teu sorriso…
…à minha frente.

Gostava de te conseguir mostrar,
A real dimensão da minha palavra saudade.

Mas não consigo.
 
 
 
 
 
 
 
Retorceste o momento
 
Retorceste o momento
Enrolando-o nos dedos
Girando-os em movimentos circulares
Como se a circularidade concêntrica do gesto,
Fosse capaz de reter no seu centro (que eras tu)
A magnitude do tempo. Dos segundos infinitos, em que fora de ti
todos os momentos ocorriam e tudo te pertencia,
mesmo que de ti, fosse coisa nenhuma.

Retorceste o momento
Enrolando-o nos dedos,
prendeste-o em ti e encurralaste-o no tempo.
Não para que o tempo parasse, mas para que o seu avanço
não desfizesse a magia do sentir.
Não o escreveste nas páginas, porque o querias só teu,
e as páginas são efémeras, mas o sentimento não.

Retorceste o momento e escreveste-o em ti,
Mas foi em mim que o selaste, com o lacre quente de um sorriso.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estarás?

Quando eu já não for vigor,
E apenas um par de pernas fracas e trémulas,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando eu já não for alegria,
E apenas um amontoado de mágoas da vida,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando eu já não for sorriso,
E apenas músculos empedernidos no meu rosto,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando eu já não for aquele que te ampara,
Mas o que procura amparo,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando eu já não for porto,
Mas uma constante tempestade incerta,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando tu me perguntares pelo ser,
E eu te responder com o tempo que (não) faz,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando tu me falares de ti e dos teus,
E eu te olhar com ar de desconhecido,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando me abraçares à procura do meu calor,
E apenas o frio sentires nos meus braços,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando o meu cair for uma constante,
Quando o meu existir for uma dúvida,
Quando a dor for o meu sentir,
Quando eu já não acreditar,
Estarás lá comigo (por mim)?

Quando não for capaz,
Quando não ambicionar o amanhã,
Quando as maiores penas,
Quando as (não) lembranças,
Quando a frustração
Quando a angústia
Quando a dor
Quando a noite
Quando o frio
Quando o ontem
Quando o MEDO
QUANDO O NÃO EU

Serás TU...
...o EU de mim?
Distância...
 
 
Companheira dos amantes,
Aumenta a saudade,
Reforça os sentimentos,
Intensifica o sentir.

Reveladora das verdades,
Afasta as falsas amizades,
Fazendo valer a velha máxima:
“Longe da vista, longe do coração”

Assim é em relação aos outros.

E em relação a nós próprios?

Distantes de nós próprios,
(se o conseguirmos)
Abrangemos “o todo”,
Perdemos o pormenor,
Encontramos a razão.

Por estarmos demasiado “próximos de nós”,
Não conseguimos a auto-análise crítica.
A razão assiste-nos sempre,
E não conseguimos ver para além dessa razão.

Distantes de nós,
Existimos como um outro ser,
Que por não sermos nós,
Nos mostra o nosso “eu”,
Que muitas vezes desconhecemos,
Que muitas vezes estranhamos,
Do qual por vezes,
Nem sequer gostamos.

Afastemo-nos então de nós,
Para que possamos,
No momento seguinte,
Voltar,
Mais fortes,
Mais convictos,
Mais determinados,
Mais conhecedores,
Mais humildes.

A razão que é sempre nossa,
Passa a ser secundária,
E o sentimento pelos que nos são queridos,
Revela-se,
Com certeza,
Como sendo o aspecto,
Mais importante da nossa existência,
Do nosso mundo,
Do nosso “EU”.

Então,
Nem que por breves instantes,
Afastemo-nos de nós,
Aproximemo-nos dos outros!
 
 
 
 
Um Raio de Luz
 
Vivemos na escuridão da vida,
Sem que de tal nos apercebamos,
Até que,
Num momento único,
Vislumbramos um Raio de luz,
Que iluminando-a,
Nos mostra uma realidade,
Que não nos sendo desconhecida,
Estava escondida, adormecida,
Num canto recôndito da nossa alma,
Do nosso ser.

Um Raio de luz,
Assumindo formas múltiplas,
Com diversas possíveis origens,
Que com uma tal imensidão,
Na abrangência do nosso ser,
Nos leva a interrogar,
Senão a nossa existência anterior,
O porquê da mesma.

Sempre fomos,
Mas não víamos o todo que éramos,
Sempre estivemos,
Mas não víamos o todo do onde,
Sempre existimos,
Mas não atingíamos a plenitude da nossa existência!

O que impedia a luz de chegar a nós,
O que não permitia que a víssemos,
O que fazia da escuridão o elemento absorvente,
O que…

Por vezes nunca chegamos a saber,
Por vezes sabemos, mas não percebemos,
Por vezes percebemos, mas não aceitamos,
Por vezes sabemos e aceitamos,
Mas porque não gostamos,
Preferimos ignorar.

Assim somos nós,
Assim somos todos,
Assim não é ninguém!

Mas o mais importante,
É que cada um de nós,
Consiga ser,
O seu próprio,
Raio de Luz.
 
 
 
 
 
Memórias de um sorriso

Tenho réstias de pele tua nos meus aromas.

Passeio-me nos locais em que não existimos
E sinto-te como uma imensa falta em mim.

Como se a troca dos dias
fossem anjos caindo do topo de nós.

Como se pequenos alicerces ruíssem
pelos nossos entrespaços.

Como se caminhar sobre o abismo
Fosse um passo natural no percurso de vida.

Tenho réstias de pele tua nos meus aromas
e memórias de um sorriso.
 
Do TEU sorriso,
Onde feliz,
Eu existo.
 
O Momento
 
“Lá fora” não existe,
O passado e futuro fundem-se
Numa quimera inexistente,
E nem mesmo o presente é presente,
Apenas o momento!

O mundo não gira,
As rodas param,
E toda a gente se queda,
Perante a felicidade,
No momento!

Estabelece-se o diálogo mudo,
Dos gestos e dos sentimentos,
Do olhar e do amar!
É o momento!

O momento…
Em que o prazer transpõe
O desejo, a realidade,
E se apodera dos nossos sentidos,
Da nossa vontade,
Dos nossos actos!
Na conjugação dos nossos corpos,
No calor dos nossos sentimentos,
Sinto-te perto de mim,
Sinto-te junto a mim,
Com alma e ser,
Com todo o teu querer,
Controlando o meu ser e o meu querer,
Onde o pensamento deixa de existir,
E começa a realidade,
Do momento!
 
 
Pergunta e Resposta
 
Por vezes, procuramos respostas, sem sabermos a pergunta
Por vezes, queremos respostas, sem sentirmos a pergunta
Por vezes, sentimos a resposta, mas não queremos a pergunta
Por vezes, queremos a resposta, mas não queremos a pergunta
Por vezes, procuramos a resposta, quando devíamos procurar a pergunta

Por vezes,
Sabemos qual a pergunta,
Sabemos onde está a resposta,
Mas não a queremos ir buscar!

Por vezes,
Sabemos qual a pergunta,
Sabemos qual a resposta,
Mas não a queremos aceitar!
 
Chamem-me
 
Chamem-me estúpido, por fazer gratuitamente aquilo que outros fazem por muito
Chamem-me burro, por aceder a tudo o que me pedem
Chamem-me parvo, por dar aos outros o que é meu
Chamem-me cobarde, por não ligar a provocações
Chamem-me piegas, por chorar com a desgraça alheia
Chamem-me infantil, por me deitar no chão a brincar com as crianças
Chamem-me sentimental, por ficar triste com a tristeza dos outros
Chamem-me palhaço, por fazer brincadeiras para obter um sorriso
Chamem-me desinteressado, por não ver notícias para estar com os amigos
Chamem-me menina, por não gostar da dor física
Chamem-me inconsciente, por gostar de conduzir depressa,
Chamem-me exibicionista, por gostar de usar coisas caras,
Chamem-me o que quiserem,
Mas acima de tudo,

CHAMEM-ME!

"CONFRADES DA POESIA"

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