"BIOGRAFIA"

"Felismina Mealha"

 
Felismina Maria Costa Mealha – usa o nome literário de «Felismina Mealha» nasceu a 23 de Dezembro de 1948 em Santa Luzia, Concelho de Ourique – Alentejo, onde viveu atá à idade adulta. Vive nos arredores de Lisboa desde 1970
O gosto pela poesia vem-lhe desde o berço e foi a sua maior herança! Deu-lha a mãe, que a embalou com palavras de infinita ternura, que semeou em terra fértil.
Uma pedra, uma cor, uma flor, um fruto, uma semente germinando, uma ave, o sol escaldante da planície alentejana, as noites magníficas de verão, o cantar dos grilos e das cigarras… a paz do seu chão, transportam-na à dimensão, sem dimensão, que faz com que as palavras se transformem e tomem a forma do que a inspira.
Guarda o que escreve desde o ano 2000
Tem poemas espalhados por vários blogues, participa numa tertúlia poética gerida pelo professor Paul Taful, na Academia Sénior da ARPIAC, no Cacém.
Presentemente, frequenta um curso de Poesia na Faculdade de Letras de Lisboa, ministrado pelo Professor António Carlos Cortêz.
Fez os seus estudos, já adulta.
Dedicou a sua vida, à grata tarefa de ser mãe e depois avó, tentando transmitir a herança que recebeu.
Nos últimos dez anos, trabalhou numa Farmácia e aguarda calmamente a reforma, enquanto, se dedica, ”agora quase exclusivamente”, à poesia que é capaz de fazer, sentindo-a.
Actualmente é membro de “Confrades da Poesia” – Amora / Portugal
 
Bibliografia:
 
 
Sites / Blogs:
Publicou no Blogue “luisgracaecamaradasdaguiné”, 47 trabalhos de grande aceitação, por parte dos amigos que lêem e escrevem nesse espaço, que lhe é muito querido. 
 
 

QUEM SOMOS?
 

Somos robots?
Não!
Somos o choro, o riso, a voz
Que enche a casa, a escada, a rua
os transportes, as fábricas,
os escritórios, os campos!
Somos a voz que crítica.
A força que edifica.
Somos o corpo curvado
Sobre a pá e o arado
pedindo à terra resposta.
Somos, o atento motorista.
O homem que vai ao leme.
O médico.
O malabarista.
O poeta enlouquecido.
O escritor de romances.
Alfaiates, cartomantes.
Peças soltas, indefinidas!
Somos juízes, dentistas…
Julgamos quem desconhecemos
porque assim o entendemos …
Somos tempo de chegada!
Somos tempo de partida!
Somos múltiplos personagens
num só corpo e numa só voz.
Conservamos, destruímos,
 Refazemos, construímos.
Somos o eu, que se identifica sob um nome,
ser andante e petulante
que nada sabe da vida!
Somos seres que se constroem
Sobre manuais que herdamos
Todos os dias da vida!
Somos memórias, ideias
coisas bonitas e feias….
Somos PAZ e somos Guerra!
Somos a ciência viva
que procura sem descanso
a razão por que nasceu…
Que faço aqui? Digo eu!
E tu procuras a resposta
que insipidamente chega.
Que não satisfaz, não chega!
Quero mais!
Quero que tu me convenças.
Que desmistifiques minhas crenças.
Que esclareças minhas dúvidas.
Quero saber porque vim,
porque vivo e estou aqui
Á tua espera…e porquê?


Felismina Mealha - Agualva
 
 

 
Registo

Enfeitei com rosas multicolores
A minha velha casa!
Com rosas multicolores
De todos os jardins desta Primavera!
 
Pus na mesa, a toalha de linho e renda,
Que acompanha digna, todas as nossas reuniões,
e sobre ela, o serviço de jantar, que a embeleza.

Nos pratos, pus o amor e a alegria,
Que servi transbordantes aos meus convivas,
que me ajudaram a colher as rosas,
a pôr a toalha,
e sobre ela, o serviço de jantar,
onde despejo sabores e cheiros
do velho clã que idolatro,
 de quem herdei a capacidade de olhar as rosas,
de aspirar o perfume,
e do repartir por todos aqueles de que me rodeio!
 
Sei, que as rosas que hoje vos ofereço,
voltarão a florir por várias gerações
com todo o seu perfume
e todas as suas cores…
E outras mesas e outras toalhas, voltarão a pôr-se…
Por mãos tão minhas, como se eu fosse,
presença  ali…
Como sou hoje!...

 
 
Felismina Mealha - Agualva
Hino à Terra
 
 
Ainda um dia vamos voltar para o Alentejo…
Meu Amor!
 O infindável espaço da planície…espera-nos!
Vamos voltar a semear as searas.
Criar os rebanhos.
Olhar o horizonte sem muros
E plantar muitas árvores…
Que na Primavera… abrirão em flor…
 
Queres ir meu amor?
 
Vamos voltar a amanhar as quintas
Plantar roseiras de armar
Fazer jardins junto às noras
Sentir o cheiro da terra molhada
Aspirar o cheiro das laranjeiras floridas…
Esquecer as horas!..
 
Queres ir meu amor?
 
Vamo-nos sentar nos tanques, olhar a água,
Observar as aves, escutar as fontes.
Vamos, ver o sol nascer, qual bola vermelha
A elevar-se.
Vamos assistir aos ocasos do Rei
Pintando o poente, sempre diferente
Em telas tão lindas
Que mais belas não sei.
 
Queres ir meu amor?
 
Vamos esperar a noite, que vem devagar
Cansada do dia, de tanto esperar…
Noites de luar, pejadas de estrelas
Brilhantes, douradas…noites de encantar!
Vamo-nos calar…
Que os grilos e as cigarras
Já se ouvem cantar
 E durante a noite não se vão calar.
 
Vem meu amor, vamo-nos amar!
 
Sem que ninguém veja…
As searas crescem, na terra vicejam
E o tempo a passar
Faz com que amadureçam,
E os grãos dourados
São de novo a semente para continuar…
 
Vem… meu amor, a terra é um hino,
Que quero cantar!..
 
 
Felismina Costa – Agualva
 
 
 
 
 
A Palavra

Escrevo-a, pronuncio-a e …saboreio-a!
Grata, porque com ela me expresso,
me apresento, me digo…
Estendo-a no papel, digito-a,
Repenso-a, analiso-a,
Recomponho-a, medito…
Medito sobre ela, introspectivo-a.
Quero que seja inteiramente fiel ao que sinto!
Tem de ser absolutamente reflexiva
Do meu sentir elementar, profundo, total!
Só assim a reconheço, a valorizo!
Cada letra é uma criação que respeito
Que enalteço, que vivo!
Cada sílaba—uma pré construção da vida!...
Cada Palavra—uma Avenida…

 

Felismina mealha – Agualva Cacém
 
   
   
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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