"BIOGRAFIA"

"Eliane Triska"

 
Eliane Couto Triska - Nasceu no dia 21 de Agosto de 1953, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Meus versos, recebem a moldura de carinho desse convite, que muito me honrou.
Acerca de um ano, escrevo. Simplesmente escrevo...
Uma emoção... uma história...um coração de memórias.
Actualmente reside na cidade de Canoas.
É formada em Direito e recentemente em Psicologia.
Minha poesia e carinho.
Está liga ao “Recanto da Letras” e a outros portais. Actualmente é Membro de “Confrades da Poesia” – Amora - Portugal
 
Bibliografia:
“Os Tempos e sua voz”
 
Sites.:  http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=15927 
 
 
Quem Sou
 
 
Sou a pobre... a pequena cantareja
De desejos e amor sobrepujantes
Sou começo do que há, a que flameja
Dos acenos que saúdam visitantes.

Pergunto-me: sou encontro ou partida?
Se poema, se um conto ou uma prosa
Quando escrevo o meu nome com a rosa
Do perfume que te trago à minha vida.

Compreender-me é fugir do igual conceito
Das métricas do soneto quando eleito
Que proíbem o verso à compaixão.

E tu que me lês... sou como escrevo
Um sonho que liberto no relevo
Das letras como bolhas de sabão.
 
 
 
 
Soneto do Encontro
 
Abafo no meu peito essa emoção
Encontro do Pai Nosso e Ave Maria
Escrevo de joelhos - Sim e Não
Nos passos regredidos à romaria.

Enquanto tu ao longe, eu suportava
Nos versos, rezas, lívida fraqueza
Agora que tu voltas a dor negava
Na dor que te esperava sobre a mesa.

Me negue! Diga: "Dor tu é passado!"
Queimado e escurecido no carvão
Do tronco que levou o supliciado.

Denegue! Réu confesso à bulimia
Que engole esse amor como um ladrão
E vomita toda a dor que ele sentia.
 
 
 
 
 
Tardes de Jasmim
 
Nas tardes desse verão
Me tens e és causa em mim.
São belas...Oh! tardes que são
Exalos... odor de jasmim.

Me enfeito... e se chegas cansado
Te deitas ao chão que improviso,
São falas... duas gotas, suado
Meus olhos que em ti suavizo.

Espero-te... são horas incertas
Não bates à porta que chegas
Minhas mãos que em ti fazem festas
São mãos que em teu corpo desejas.

Nas tardes que a rama umedece
Ao som que o fado convida,
Nas pautas que o amor enaltece
Tu dizes: te quero, querida!

À tarde dos mansos cansaços
Com a noite em total ascensão,
Jaz-em-mim perfumando meus braços
Teus beijos que beijo em minhas mãos.
 
 
 
 
Velha árvore
 
Velha árvore, rapariga religiosa
Estranha esta tua sombra que vadia
Sedenta de um qualquer em qualquer dia
Que deite no teu gozo - A milagrosa!

Pode reclamar-te a juventude?
Por quê? Se na secularidade
Da vida em sacrifício à saúde
A morte só conhece a metade!

Frondosa... ainda exibes a grinalda
Copada, para a noite resolvê-la
Com um noivo num anel de esmeralda.

E a noite que transforma tudo, em igual
Aniquila tua sombra ao recolhê-la
Às letras em uma folha de jornal.
 
 
 
Amo-te
 
Com a força das correntezas no cio
Nos ritos que ovulam a madrugada
E espumam em orgasmos no bravio
Dos ventos serpenteando a cavalgada.

Nas estrelas de olhares imprecisos
Longínquo balouçar da noite em vagas
De altares constelados de sorrisos
Em eras de esperanças tão sonhadas.

Meu peito, que te alberga, ora incerto
Intenta ver a teia do destino
No tempo que caminha em céu aberto.

Se és meu? Não sei... Sei que sou tua!
E Deus se exclamar: Que desatino!!!
Dir-lhe-ei que a culpada foi a lua.
 
 
 
Ansiar Perdido
 
Ilegítimo o ansiar perdido
Se me conduz a esse campo aberto
Onde as frutos do Éden prometido
Leite e mel jorrados do deserto?

Das ilusões às tolas iguarias
Mesa posta à vida descontente
Se é licor o doce da semente
Por que murchar a cada novo dia?

Se sou alguém, e nisso insisto tanto
Ser mais da existência, livre canto
O fremir d'um lamento apaixonado.

Exijo que se retrate o insulto
De a vida ter passado como um vulto
E ter-me como um verso ignorado!
Até o final dos Dias...
 


Quando, em ti saudades fores,
Na espera morta, ó pobre poeta,
Sangrado e corroído pelas dores,
Abatido coração mostrada à flecha.

Nesse dia, talvez, até compreendas,
O amor é fio que faz fino condão,
Carinhos são cuidados, oferendas,
Sem mimo, maltratado é roto ao chão.

Não faço tratos, nem vãs promessas
De amar-te inteira mesmo que tardia.
Sou como vento, sopros das florestas
Perfumes que dão forma à poesia.

Se me quiseres - sim - jamais olvides,
Quero teus versos em rimadas melodias.
Serei a musa, a que em mim insiste
Ser tua, enfim, até o final dos dias.


Mamãe!


És a santa Maria! Mãe Maria!
Que pecado trouxeste no teu ventre
Se tua fenda é a canoa da nascente
Lá, onde a dor do mundo principia?

Maria do andar de formas feias.
O velho céu te quis e pôs raízes
No inferno cercado de aprendizes,
E a fé quis o lugar onde te creias.

Foi meu clamor crescente e indefeso,
Que calaste com teu beijo, o novo ente
E, carregas o mundo como peso.

Ó, minha mãe por que me abandonaste
Ás cidadelas de um mundo doente.
Para adoção a ele me entregaste?
 


 
 
Mais Além
 
 
 Ah, meus dias de amarguras
 Vivem onde a alma chora.
 Pobres seres das clausuras,
 Por que não me vão embora?
 
 Por que o meu sol alargou
 Em meio à cantiga triste,
 Vendo um sonho, que acordou
 Caminhar, se não existe!?
 
 Aonde vais, ó coração
 Quando um lugar te alimenta,
 E opõe sentido e razão
 No teu querer que se inventa?
 
 Qual o tempo por achar?
 Em que outra estrada os deixei?
 Quem sabe dar alma ao mar,
 Ou ser maior?... Eu não sei!
 
 No tudo, declina a noite,
 Descanse-me o mar também,
 E só me desperte a fronte,
 Noutro sonho,... mais além...
 

 

 

Alta a um Louco

Poema, nos versos que te agrado
No saber que a mim, a sós, consiste,
Sou, em ti, a que não mais existe
Ou a outra que te escreve ao lado?

Quantas posso, em ti, e me dizer
Da liberdade de ser e ser, em ti, apenas
Um verso dentre tantos e, às centenas
Do poema, sendo apenas nenhum ser...

Poema, me deixaste atrapalhada.
Se o poeta te quis, foi sem querer,
O ruído que acordou a passarada.

Liberta-me! Dá-me a alta de um louco,
E, num súbito, o morrer
Desse amor como se fosse pouco.

 

 

 


Ando Assim

Ando assim... meio largada
Sentimentos desabotoados dos conceitos normais...
Solitária nos limites das perguntas e respostas desiguais.
Quem vai me ouvir?
Quem vai me compreender e dar razão
Se razão não há de vir!?

Meu passo
Salta vazios esparsos
Talvez por medo do olhar interno que perscruta
Quando escuta não poder ignorar.
Então... por que perguntar?

 

 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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