"BIOGRAFIA"

"Edson Gonçalves Ferreira"

 
Edson Gonçalves Ferreira – Nasceu em Divinópolis/MG – Brasil; em 11.06 – Brasil. Mestre em Artes e Educação pela AWU/USA, Pós-graduado em Língua Portuguesa pela PUC/MG, graduado em Letras pela FUNEDI/UEMG, é membro da Academia Divinopolitana de Letras e da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. É professor de Português, Literatura Brasileira e Portuguesa, Oficina de Textos, Português Instrumental, Alfabetização e Letramento. Poeta – Escritor - Colunista. 
Como jornalista, actua na Imprensa, desde 1969, mantendo, há décadas, coluna no Jornal Agora, em Divinópolis e, também, coluna no Informativo da MasterCabo sobre Português e Arte, além da coluna no Informativo da Adimóveis sobre Língua Portuguesa e Redacção, sendo responsável pelo Jornal “Educ-Acção & Arte”. Informativo da Superintendência Regional do Ensino de Divinópolis.
Tem ligação - "Recanto das Letras"; "Associação Portuguesa de Poetas"; "União Lusófona de Letras e das Artes"; "Varandas das Estrelícias" e outras; actualmente é membro de "Confrades da Poesia" - Amora / Portugal
 
Bibliografia:
“Poedsana”; “O cavalo de couro e de pau”; “Múltiplos poéticos e plásticos”; “Um gosto da vida”; “Batido de sol”; “Apenas por amor”; “pé-de-moleque”; “O menino do zé”; “Rasgando os véus”; “Beija-me em paz”; “Uma ponte para o amor”; “Poema Nordestino”; “Poema mineiro”; “Um dia na vida do povo”; “Dois dedos de prosa nas entrelinhas dos versos”; “Chupando caquis”; a lançar Brevemente "Retratos em pérola"
 
 
Portugal

            de Edson Gonçalves Ferreira
            para Pinhal Dias


Ao lado de outras aves nobres, muito mais nobres.
Não, não existe Portugal, existem Portugais
Espalhados por onde "a última flor do Lácio" canta
E, feito Pessoa, já se multiplicou, já se desdobrou
E, feito Camões, já dominou todos com sua pronúncia doce
Encantando gentes doutras terras e doutras línguas
Porque quem fala português, fala mais doce
Alegra mais os ouvidos de que o escuta
Nossa língua é tão bela e tão vasta que seduz
O intraduzível da saudade
A palavra mais doce que o fado
A palavra mais explosiva que o samba
Não, não existe Portugal, existem Portugais
E, em cada um deles, estou como um Pardal a cantar



Divinópolis, 28.05.2010
 
Paternidade
 
 
         Edson Gonçalves Ferreira
 
 
         Após observar o comportamento da sociedade, através de anos, no que diz respeito às celebrações do Dia dos Pais e do Dia das Mães, notamos que nós, os homens, caímos numa cilada armada por nós mesmos, consciente ou inconscientemente: o desprestígio da paternidade.
 
         O Dia das Mães é celebrado como se a figura materna fosse, de verdade, mais, muito mais importante que a figura paterna o que não é uma verdade absoluta. Cada um cumpre o seu papel. Essa supervalorização da mãe, para mim, está ligada, intimamente, à religiosidade, uma vez que já escrevi até um livro infantil “O menino do Zé” para colocar em primeiro plano a figura de São José, pai de Jesus.
 
         O livro destaca a presença de São José ou, se preferirem, de José na vida do menino Jesus que é tão pouco enaltecida, enquanto canta e recanta o papel de Maria. E, assim, até hoje, em nossa sociedade, notamos que a figura paterna não é tão endeusada como a figura materna o que não é justo, pois os dois participam do milagre da concepção de vida.
 
         Se há a sacralização da figura materna, ela envolve nós, homens, mesmo considerando a concepção mais famosa do mundo. Afinal, Jesus cresceu protegido por um pai que se chamava José.  Mesmo sendo um simples carpinteiro, era nobre, tão nobre que sustentava a casa e respeitou, sobremaneira, o papel da esposa Maria na história mais famosa da humanidade onde não foi coadjuvante, mas exerceu papel fundamental, com certeza, na vida do menino Jesus.
 
         Se vamos continuar a celebrar o Dia dos Pais, precisamos rever nossos conceitos sobre o papel do pai em nossa sociedade. Afinal, pai é tão sagrado quanto mãe. Se ela carrega a criança no seu ventre, nós somos responsáveis pela sementinha que a fecundou e, portanto, fazemos parte também do milagre da concepção.
 
 
Divinópolis, Minas Gerais, Brasil, 07.08.2010
 
Escolha seu amigo (interação poética)
 
de Edson Gonçalves Ferreira
para Pinhal Dias
 
Amigo quem escolhe é Deus
O sagrado do encontro
São predestinados
Saber reconhecê-los é dom divino
O Espírito Santo nos ilumina
E, então, o encontro amoroso acontece
Marcado estava nas páginas do Céu
Por nosso anjo da guarda.
 
Divinópolis,  08.07.2010
 

Cabeça coroada                         

 

Minha mãe dizia,
E a face sulcada pelas marcas da idade,
Eram desenhos amorosos da vida,
Que bem a gente faz sem olhar a quem
Sabedoria pura, mas difícil
Como fazer broa de fubá macia e deliciosa.
Assim, hoje, surpreendo-me...
Quem conheço ou reconheço aprendi a amar antes
Gente nasceu mesmo foi para brilhar, para ser sol, para ser flor
Quem ainda não descobriu essa sabedoria simples perde,
Perde porque não sabe que, quando a gente contempla o céu,
Só temos pessoas amadas em nossas vidas,
E  todas as estrelas parecem mais belas.

 
Poema para sorrir sempre    
 
 
Talvez, eu não tenha tempo, amanhã,
Para abraçar você como eu quero hoje...
 
Talvez, eu não celebre mais os nossos aniversários, anualmente,
mas, ainda posso, hoje, celebrar o novo dia,
pois sempre que você sorri, nós, seus amigos, aniversariamos também.
 
Talvez, você ache que este poema foi feito
para dizer somente coisas banais,
mas nada é banal nesta vida, tudo é essência pura, puríssima
e é, por isso, que escrevo só para lhe dizer te amo sem o corpo,
nem sempre o teremos para o abraço,
já que existem dimensões diferentes para o existir.
 
Talvez, você chore ao ler essas palavras, mas não se desespere,
chorar é limpar as janelas dos olhos para a luz de Deus brilhar mais.
E é só ela que conta e com ela somos capazes de enxergar longe,
tão longe onde a carne não penetra,
mas a alma sim e nos sacia para sempre.
 
Amargura desamargurada
 
                 
 Gente não devia morrer.
Nada morreria.
Pecado só tem explicação assim:
Quando perdemos tempo em dizer que não gostamos de alguém
Tolice o desamor,
Quando sabemos que vamos.
Amar é tão bom:
Quão belo é apreciar os lábios carnudos dos jovens.
Mais espetacular ainda é ver quantos sonhos enchem as suas cabeças.
O que dói, de fato, é saber que chegar e partir são duas horas definitivas,
Irremediável como o meu amor pelas coisas todas aqui da Terra!
 
Verão
 
       
 
Hoje, pela manhã, abri as janelas
E o sol do verão invadiu o meu quarto
E, tomando-me de surpresa, iluminou a minh´alma
Fazendo-a formosa como um girassol muito lindo
E, então, eu passei a ter na face
Um jardim fascinante
Reflexo da glória de Deus
Quando criou o mundo.
 
O valor da vida
(para a poetisa Márcia Sanchez)

                      

Todo mundo gosta de presente
Muita gente não sabe
O momento presente é um presente
Este instante é um prémio tão grande, porque estou a escrever para ti
E, quando olho a minha rua,
Vejo o bosque, o lago e o céu azul e a tua presença, presente
Entendi isso com o passar dos anos
Idade não é ruim, é presente
O ontem, o hoje e o amanhã são presentes
E só valorizando o presente presente é que somos sábios
Não há sabedoria maior
Ver duas pessoas com os cabelos brancos
De rostos sulcados pelo tempo sorrindo por causa do presente do presente
Sempre com as mãos abertas para as carícias
E um sorriso nas faces, saudando o presente
É por isso que te dou de presente o momento presente
Transformado em palavras doces como presente.

Divinópolis, 09.05.2010
 
Saramago

           Edson Gonçalves Ferreira


           Saramago morreu! Encantou-se no para sempre e sua palavra-ouro doira a sua permanecência entre nós, perpetua a sua existência, embora ele mesmo não acreditasse no Verbo dos verbos, está agora ao lado Dele que, sem sombra de dúvida, acolhe na luz quem foi luz na Terra.
            Um homem não é importante só porque escreve livros ou faz fortuna ou é um grande artista ou artesão. A medida de um homem é a sua bruta humanidade e a receita desse homem era conhecida e vivida por José Saramago e, por isso, ele perpetuará seu nome, uma vez que, através da obra dele, a "última flor do Lácio, inculta e bela" se consagra também.
              Eu não lamento só a morte do escritor, lamento a morte do homem que, indiferente as críticas do Clero e da Sociedade, escrevia o que lhe vinha no coração e com coragem enfrentava todos, ciente de que quando se é verdadeiro, a nossa obra artística ou não ganha mais consistência e divindade. Não podemos dizer adeus a Saramago, porque os grandes homens não partem, imortalizam-se no para sempre dos seus feitos.

Divinópolis, 18.06.2010
 
 
Sentimentos profundos

                         
de Edson Gonçalves Ferreira (provocação)
                      
    e Luis Mota Filipe (réplica)
                         
para Susana Custódio (comemorando o lançamento do seu livro com o mesmo título do poema)

 
Provocação I
O que sinto escrevo
Sou muito evangélico na minha lavratura.
Estreito ao peito todos a quem amo
E, ao pensar na pluralidade do meu sentir, multiplico as palavras.
Quero que elas sejam o pão compartilhado na ceia
Onde me sento na grande mesa da vida para celebrar tudo,
Principalmente a alegria dos amigos,
Esses que o coração nomeia
No sentir profundo
E, depois, passam a partilhar de nossas vidas
Como se fossem gente de nossa família doutroras vidas.
Ai, os sentimentos profundos, tão profundos!


Réplica I
Esses mesmos sentimentos,
Que em suma: são os retalhos de tantas vidas
De tantas vidas  em comunhão,
Retratam o sentir profundo:
Que de tão profundo ser, apenas e somente representa o suco
E o néctar de vida irradiada do gesto de partilhar humanizando!


 
Provocação II:
Sim, os sentimentos todos do mundo explodem em nossos peitos
Não sei nem minha nacionalidade mais.
Não sou cidadão de um país.
Habito o mundo.
E comungo com todos que anseiam por um gesto meu
Cientes de que sou devasso no sentir o mundo,
E a minha gula por humanidade assusta até Deus.
Sentimentos profundos demais
Que me fazem, todos os dias, morrer na cruz!
 
Réplica II:
Renasço!...
Renasço a cada novo dia,
Voltando a amar como somente os bons amam,
E a sonhar tal qual apenas os poetas sonham,
Sem o conhecimento de barreiras
Desmedidamente,
Só como Deus ama
Sempre a acordar para ti e para todos
O eterno novo renascer da vida
Cujo âmago é o sentir profundo.


Conclusão
Sim, tudo depende do olhar
Uma cruz pode ser uma espada
A palavra também.
Múltiplos lados existem
Como as divisões do eu
E sentimentos profundos aparecem...
Deus é a multiplicidade de tudo.
Ele, o Amor dos amores, nos inspira
E, transpirando, escrevemos com a tinta do nosso sangue
Cuja cor é vermelha como as faces de quem se entrega num beijo passional.
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.confradesdapoesia.pt