"BIOGRAFIA"

"Dulce Rodrigues"

 
 

Dulce Rodrigues - Nasceu em Lisboa a 29 de Abril de 1941.
É uma escritora portuguesa que vive um pouco por toda a Europa. Gosta de jardinagem, fotografia, arte, música, animais e livros – tanto os dos outros como os que ela própria escreve, especialmente os que escreve para crianças e jovens… de todas as idades. É uma apaixonada por História e por viagens e adora os seus dois filhos.
Seguiu os seus estudos universitários no Reino Unido (Science Foundation Course) e no seu país natal (Línguas e Literaturas Modernas).
Igualmente diplomada pelo Goethe Institut e pelo British Council, além de diplomas de nível profissional. Poliglota: fala seis línguas vivas. Duas bolsas de estudo, uma do Goethe-Institut de Munique; outra da OTAN. Depois de uma carreira profissional que a levou a outros países e cidades, Dulce Rodrigues divide agora o seu tempo entre as viagens de afecto e de recreio e os livros, quer os que lê ou os que escreve.
Ocasionalmente, tradutora e professora de português (a estrangeiros). A História é outra das suas paixões (conferências, publicação de artigos...). Participa em encontros e salões literários na Bélgica, França, Luxemburgo, Alemanha e Suíça.
Foi galardoada com quatro prémios em concursos literários em França com manuscritos de estórias para crianças.
Tem colaborações a nível pedagógico em vários países da Europa, como o Luxemburgo, a Bélgica, a França e mesmo a Roménia, especialmente através do seu projecto pedagógico. 
É colaboradora da revista LIVROS & LEITURAS e é sua correspondente na Bélgica e Luxemburgo.
Está ligada  à “Raizonline”; e “Confrades da Poesia
 
Sites / Blogs:
www.dulcerodrigues.info   -   www.barry4kids.net
 
BIBLIOGRAFIA:
“Era Uma Vez Uma Casa”; “Piloto e Lassie, uma outra estória de Romeu e Julieta”; “Há Festa no Céu”; “O Pai Natal está constipado”; “A Aventura do Barry”;  “Barry’s Adventure”; “Father Christmas has the Flu”; “Il était une fois une Maison   ; Le Ciel est en Fête ; Le Théâtre des Animaux ; Piloto und Lassie, Romeo und Julia einmal tierisch anders"; "Der Weihnachtsmann ist verschnupft"; "Travelogue – Egypt through the Eyes of a Western Woman”
 
 
Pouco mais do que um nada
“Diz-me, quanto é que pesa um floco de neve?” perguntou o chapim-carvoeiro à pomba que com ele falava.
“Pouco mais do que um nada”, respondeu-lhe a pomba.
“Então vou contar-te uma estória”, disse o chapim-carvoeiro.
“Eu estava um dia poisado na haste de um pinheiro quando começou a nevar. Não era nenhum nevão, não senhor, mas sim flocos de neve leves como uma brisa. Como não tinha mais nada que fazer, comecei a contar os flocos de neve que caíam sobre o ramo e aí ficavam. Cheguei assim aos três milhões setecentos e quarenta mil novecentos e cinquenta e dois, quando caiu mais um floco de neve – pouco mais do que um nada, como dizes – e o ramo quebrou-se.”
E dito isto, o chapim-carvoeiro voou e foi-se embora.
Especialista nesta matéria desde a época de Noé, a pomba pôs-se a pensar e disse para consigo: “Talvez a voz de só mais uma pessoa bastasse para trazer Paz ao mundo.”
Pensei neste conto quando vi a pomba da Paz na vossa página de entrada.
 
Dulce Rodrigues
 
 
 
O cântaro rachado
Era uma vez uma velhinha que vivia numa aldeia, lá para os confins da China, onde não havia água nem electricidade. Sempre que ia buscar água, a velhinha levava dois grandes cântaros, cada um deles pendurado na extremidade da vara que ela trazia sobre os ombros.
Um dos cântaros tinha uma racha, enquanto que o outro não tinha qualquer falha. Sempre que a velhinha chegava ao fim da longa caminhada do rio até casa, o cântaro sem racha estava completamente cheio, mas o outro só conservava meia porção de água.
Durante dois anos, todos os dias acontecia o mesmo: a velhinha chegava a casa somente com cântaro e meio de água.
Claro que o cântaro sem defeito estava todo orgulhoso do serviço que prestava, mas o pobre do cântaro rachado envergonhava-se por causa do seu defeito e sentia-se infeliz por só trazer metade da porção que devia.
Ao fim dos dois anos, achando que tinha feito um mau serviço, o cântaro rachado disse à velhinha: "Estou tão envergonhado do meu defeito, que deixa verter água durante todo o caminho até casa."
A velhinha sorriu: "Já reparaste que o caminho do teu lado está cheio de flores, mas que do lado do outro cântaro não há nenhumas? A razão é que, como eu sabia desde sempre que tinhas uma racha, semeei flores ao longo do caminho do teu lado que tu regas todos os dias quando voltamos para casa. Durante dois anos, eu pude assim colher estas lindas flores que embelezam a nossa mesa. Se não fosses como és, a nossa casa não estaria tão lindamente enfeitada."
Cada um de nós tem os seus próprios defeitos, mas são essas imperfeições de cada um de nós que tornam a vida em comum interessante e gratificante. Por isso devemos aceitar cada pessoa tal como ela é, tentando ver nela o seu melhor.
Não se esqueça, por isso, de apreciar o perfume das flores do seu lado do caminho e passe esta estória aos seus amigos, pois a amizade é como as flores, também deve ser cultivada...
 
Dulce Rodrigues
 
 
 
Conhecimento e Sabedoria
Todo o autor é um contador de estórias, e eu venho contando estórias desde os bancos da escola. À medida que fui crescendo, fui também sentindo um fascínio cada vez maior por mitos e lendas e pela filosofia dos contos orientais. É um desses contos que vou partilhar convosco.
Dois discípulos dirigiram-se um dia ao mestre e perguntaram-lhe qual a diferença entre Conhecimento e Sabedoria. O mestre foi até à janela e disse-lhes: “Vêem ali aquela montanha? Amanhã vão colocar dez feijões dentro de cada um dos vossos sapatos e depois vão subir até ao cimo da montanha.”
Os dois discípulos assim fizeram. Quando ainda estavam a meio do caminho, um dos discípulos já quase não podia andar, pois os feijões dentro dos sapatos magoavam-lhe os pés. Mas o outro parecia não sentir qualquer dor. Quando chegaram ao cimo da montanha, um dos discípulos continuava feliz e sorridente; o outro tinha o semblante marcado pela dor.
Então, aquele que sofria perguntou ao companheiro: “Como é possível que tenhas conseguido realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto que para mim foi um verdadeiro sofrimento?”
“Ontem à noite, cozi os feijões antes de os pôr nos sapatos”, respondeu-lhe o outro discípulo.
Não devemos confundir Conhecimento com Sabedoria. O Conhecimento está na base da nossa cultura e resulta de um processo de aquisição de informações. A Sabedora implica que saibamos aproveitar esse conhecimento para tornar a nossa vida mais bela, mais feliz, mais realizada. Para se ter conhecimento, basta aprender o que vem nos livros. Para se ter sabedoria é preciso experimentar, ousar, respeitar, amar... numa palavra, é preciso viver e estar à escuta da própria vida. A Sabedoria é uma viagem em que nos deixamos encantar pela paisagem, sem todavia nos esquecermos do sítio para onde vamos. A Sabedoria resulta do que soubermos fazer do nosso Conhecimento.
 
 
Dulce Rodrigues 
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

 

www.confradesdapoesia.pt