"BIOGRAFIA"

"Dirceu Rabelo"

 
 
Dirceu Thomaz Rabelo nasceu em Dom Joaquim, Estado de Minas Gerais, Brasil em 1º de Fevereiro de 1947. Tem portanto 63 anos. Nos estudos, chegou até a se formar em Ciências Contábeis pela Faculdade de Ciências Económicas da Universidade Católica de Minas Gerais, mas pouco exerceu a profissão. Tornou-se actor profissional no Rio de Janeiro, tendo sido funcionário por longo tempo das TVs Globo e Educativa do Rio de Janeiro, onde actuou em novelas e programas humorísticos. Escreveu peças de teatro e participou como actor e director de várias delas. Retornou à sua terra natal para se dedicar à carreira política e foi vereador e presidente da Câmara de Vereadores. Em vários mandatos de prefeitos, foi assessor e secretário de várias pastas. Hoje, é secretário municipal de Cultura e Turismo de Dom Joaquim e Secretário Executivo do Circuito Turístico Parque Nacional da Serra do Cipó. É também representante do município, como titular do Comité da Bacia Hidrográfica do Rio Santo António. É cônsul no município da Associação dos "Poetas Del Mundo".
Actualmente é membro de “Confrades da Poesia” – Amora / Portugal
 
Bibliografia:
A editar brevemente 1 livro de poesias e outro de crónicas pela Editora de Belo Horizonte. 
 
Sites: - http://dirceurabelo.wordpress.com
 
 
Ânsia e Idade
 
Tenho horror ao passado!
Porque o passado me atormenta
E a memória me dói.
O futuro me assusta.
E o presente me impacienta...
Os dias são penosos, pois não fluem.
São longas as horas que paralisam meu ser
O tempo não tictacteia no relógio;
Os ponteiros se seguram uns aos outros.
Trabalho, para que o longo dia termine logo.
E durmo nada, na expectativa de um novo alvorecer
Que já nasce cinza, mesmo com todo o sol;
Dramático e incrédulo como os outros...
Iguais, arrastados, anavalhados.
Uma lástima!
 
Dirceu Rabelo
 
 
 
 
A necessidade de um porquê.
 
                                 Dirceu Rabelo (será?)
 
                                 Para Delasnieve Daspet
 
Releio Nietzsche e me assusto mais uma vez.
Relaxo-me com um reconfortante Topamax.
Além de sua autêntica e profunda loucura
em busca de explicações de coisas
que ele próprio não sabia explicar,
acusa os poetas (como ele), de serem filósofos.
.
E por quê? Porque formulam sempre porquês.
Diz ele: para um poeta, uma folha que cai,
não é somente uma folha que cai,
como um simples mortal a vê caindo.
Vem-lhe a dúvida.
Para o poeta, uma folha que cai pode ser levada pelo vento,
ou arrastada pela correnteza do riacho,
ou cair revoluteante à margem do regato.
.
E para Nietzsche a pergunta é, muitas vezes,
a antecâmara da dúvida.
Ou a dúvida, quem sabe, a antecâmara de uma pergunta?
Meio na dúvida, começo a concordar com Nietzsche.
Deve ser como partícula e antipartícula, afora o hífen.
Entenderam? Nem eu! Nem o antieu.
.
Tomo meu Seroquel de 100 mg, e fico parado,
sistematizado, nesta dialética trágica
que me traz o tumultuário para minha mente,
já bastante combalida.
.
Digo boa noite a Nietzsche, que permanece de pé, ali
na cabeceira de minha cama,
encaracolando com o dedo, seu bigodão,
trajando uma vistosa farda de Napoleão.
E no peito, uma suástica, bem ao seu jeito.
.
Ele sorri para mim e ajeita a minha camisa de força.
E eu durmo como um anjo, louco, mas anjo;
pensando ser poeta e, portanto, filósofo.
Que isso nunca chegue aos ouvidos de mamãe!
 
 

 

Xixi de Galinha
                                              
(Para a minha filha Marilia que faz biologia e ama
os animais, assim como eu)
 
 
Por acaso, a galinha faz xixi?
-Ué, eu cá não sei disso não!
Se faz, eu juro que nunca vi.
Como é que vamos saber então?
 
Vamos consultar o sábio Curingá,
Com sua cara zarolha de coruja.
Ele mora no oco do pé de jacarandá,
Alí mesmo, pertinho da grota suja.
 
E lá se foram as crianças bem curiosas,
Saber do mestre, a importante questão:
Fazem, ou não fazem xixi, as penosas?
Foi quando o professor desvendou a indecisão.
 
Não! Elas não têm bexigas como os bovinos;
E assim, todas as aves, e até nós, os “passarins”,
A água que bebemos vai para os intestinos,
Onde é absolvida, chegando até os rins.
 
Aí está a resolução deste mistério e do fato;
Nos rins, o líquido uma purificação recebeu,
E as impurezas formaram a substância: urato,
Que junto às fezes, nas tripas, ficam no coprodeu.
 
 
 
 
Repare então que no cocô da passarada,
Ou das galinhas, se vocês quiserem assim,
Existe alí, certa porção esbranquiçada;
Esse é o urato, ou o xixi. E a aula teve fim!
 
Dirceu Rabelo
Lepidóptero Eternum
 
.
Não aceito a velhice,
assim como a lagarta
não aceita a sua condição de larva,
e luta por sua transformação,
mesmo quieta, no casulo
esperando tranquila, sozinha, serena...
.
Transformei-me em crisálida!
E aguardo ansioso, solitário,
nesta posição intermediária,
em que sou somente a mim solidário,
enclausurado, espírito amalgamado em matéria,
até que eu me transforme em borboleta.
.
Aí, eu voo para o céu, deixando meu invólucro
e enfim descortinando o temido umbral.
Agora, já acompanhado
de milhares de lepidópteros
que como eu, chafurdaram-se em seus egos,
à espera de um retorno que nunca chega.
 
Dirceu Rabelo
 

 

 

Vidas Passadas
Dirceu Rabelo
 
Para os amigos de “Os Confrades da Poesia”
 
Desde tenra idade
Tinha clara percepção
De que algo transcendia
Sua chegada a este orbe.
 
Uma saudade intensa
Às vezes se abatia sobre si;
Criança ainda,
A soluçar tristemente.
Um pequeno coração
A clamar, não sabendo o quê...
 
A vida foi passando célere
E tentativas de amar e ser amado
Foram feitas com pouca eficácia.
Amores volúveis, paixões ligeiras;
Acabou por desdenhar o próximo.
A colheita farta de fracassos múltiplos
E a autocondenação corroendo o íntimo.
 
Só depois, com a mente aclarada,
Pela Doutrina Consoladora,
Já no crepúsculo do viver,
Comprovou que muito, muito pequeno ainda,
Já percebia, e, portanto sofria, sem saber,
Que outras vidas tinha vivido;
E que lá deixara o seu doce bem querer.
 
Dom Joaquim, 30 de setembro de 2010.

 

 

 

Lua Minguante
 
Lua minguante
De melancolia distante
E claridade estranha
Que me dá tristeza cortante
Se a madrugada me apanha
Me trazem lembranças
De um sofrer angustiante
.
Lua minguante
De saudade profunda
Saída, não sei de onde
Que me dói na alma
E corrói minhas entranhas
.
Sentimento que me persegue
Desde que me lembro gente
Cresceu com a juventude
Explodiu com a maturidade
Martiriza meus derradeiros dias
E com certeza iluminará
Com mais intensidade
Minha última morada
 
 
Dirceu Rabelo

 

 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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