"BIOGRAFIA"

"Cremilde Cruz"

 
 
Cremilde Vieira da Cruz Nasceu em Maceira Liz em 6 de Julho de 1937.
Frequentou o ensino primário em Maceira e fez exame de admissão ao Liceu em Leiria
Frequentou o Ateneu Comercial de Lisboa (Curso Complementar de Comércio) e a Escola Lusitânia Feminina, Curso de Secretariado.
1958 - Trabalhou como secretária de direcção na Provimi Portuguesa, em Lisboa
1959 – Foi viver para Angola onde permaneceu dezasseis anos. Nos anos lectivos de 1967/1970, foi professora primária eventual na Escola Primária da Lucira, Distrito de Moçâmedes
1975 - Viveu em Pretória, África do Sul; 1976/77 – Viveu em Lisboa
1978 – 01/03/78 a 31/07/83 – Contratada pelo Governo Regional da Madeira, para exercer funções de secretária no Comité Intergovernamental para as Migrações Europeias, com a responsabilidade de atendimento, organização de processos dos candidatos a emigrantes para a Venezuela, Canadá e Austrália, contactos com as respectivas embaixadas, companhias aéreas e bancos; como funções paralelas e complementares às anteriores, uma vez que os emigrantes madeirenses tinham por destino estes países, foi intérprete junto dos adidos das embaixadas do Canadá e da Austrália que se deslocavam àquela Região Autónoma, a fim de fazerem a selecção dos candidatos a emigrantes.
1984 – Iniciou funções várias, entre elas de secretariado no Centro do Emigrante, no Funchal, até 1989 - 11/09/89 - Requisitada pelo Secretariado Nacional de Reabilitação – Ministério do Emprego e da Segurança Social, passou a exercer, no gabinete jurídico, as funções de secretária da Directora de Serviços.
1990 – Fez revisão (a título gratuito) de brochuras e outros opúsculos elaborados pelo gabinete em Portugal da Comissão das Comunidades Europeias.
1995 - Através de concurso, ingressou no quadro da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde exerceu funções de secretária do Professor Doutor Armando Sales Luís, Professor Catedrático em Medicina e Cardiologia, director do Serviço de Medicina  no hospital de S. Francisco Xavier, tendo, além do serviço de secretariado, criado e organizado o arquivo desse serviço;
04/11/96 – Transferida, por solicitação do Secretário Nacional, para o Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, passou a exercer, no gabinete jurídico, funções de secretariado ao chefe de divisão.
2005 – Requisitada pelo Ministro da Justiça, para exercer funções de secretariado, permaneceu naquele ministério até à sua aposentação em 2007.
Desde muito jovem, gostou muito de ler e também de escrever. Foi escrevendo ao sabor da pena e rejeitando tudo que escrevia, até que, por “imposição de colegas de trabalho e outros amigos”, passou a guardar.
Publicou, durante alguns anos, contos infantis, no Jornal da Madeira e, alguns poemas, no Eco do Funchal.
Participa em vários Blogs da Internet.
Faz parte de: - “Raizonline”; “Horizontes da Poesia”; “Confrades da Poesia”; "AVSPE"
 
Bibliografia:
 
Blogs ou Sites: - http://www.osconfradesdapoesia.com/Biografia/CremildeCruz.htm
 
 

CHAMO-ME MEDITAÇÃO
 
 
 
Sou nem mais nem menos,
Que uma gaivota de asas partidas,
Perdida na ilha.
 
Não tenho espaço,
Nem lar,
Não tenho horas,
Nem tempo.
 
Existo aqui,
Mais uma sombra a cobrir a calçada,
Olhos perdidos na neblina das montanhas,
mãos estendidas para o mar.
 
Não tenho horizontes,
Nem o mar me pertence.
Não tenho qualquer ilusão!
 
Mas amo a ilha,
Gosto de abraçar os jacarandás,
Gosto de passear-me nas avenidas de acácias...
 
Às vezes abraçam-me as palmeiras,
Ou as buganvílias que cobrem as ribeiras.
Há um til que me segreda palavras verdes,
E às vezes,
Se me passeio pelos canaviais,
Sinto um certo aroma a doçura.
 
Fascinam-me os socalcos verdes,
As levadas que me servem de espelho,
As avenidas de bananeiras,
O mar à volta de mim.
 
Muitas vezes,
Medito no negrume do calhau...
 
Deslumbra-me a imponência dos rochedos,
As grutas respingadas de água cristalina,
Os furados que dão acesso ao outro lado.
Sinto como se partisse para o desconhecido.
 
Faz-me meditar o nevoeiro tombado do céu,
O luar em noites mornas...
 
Não sou ninguém.
Existo aqui.
Chamo-me meditação.
 
 
Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa
 
 
 
 
 
 
 
CÂNTICO A UMA FLOR (PARA MEUS FILHOS)
 
 
 
Nasceste num canteiro entre as serras
De cafeeiros plantados e floridos
Árvores envoltas de longas heras
Esperanças no olhar sonhos erguidos
 
Cantei-te com grande amor no coração
Compartilhámos alegrias e gemidos
Caminhámos tua mão na minha mão
Teus gestos e meus gestos parecidos
 
Contei-te lindas histórias de embalar
Outras histórias que não queria contar
Foste do meu jardim o viço e a cor
 
Canto-te ainda neste canto à beira mar
Cantar-te-ei enquanto puder cantar
Cantar-te-ei minha saudade e meu amor
 
 
Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa
 
ENTRE CORAÇÕES
 
 
 
Permaneço na penumbra das horas
E mais não sou que um pesadelo.
Oiço bater à porta do vizinho,
Oiço tocar o telefone d vizinho,
Oiço o ladrar do cão do vizinho...
Tudo para lá da porta fechada.
Falo com os pinheiros,
Mas olham-me de lado
E mandam-me não sei onde.
 
Não sei que distância vai
De meus corações a vossos corações,
Mas deve ser enorme,
Porque a percorro há milhões de anos
E não consigo alcançá-los.
O meu medo é que a memória se me apague,
O sangue me gele nas veias,
E o tempo me traia.
Se isso acontecer,
Quero que saibam que vivi
Colada à memória do passado,
No vácuo do delírio do presente.
O futuro não existe.
O amor foi ontem.
 
Sonho amarrada a fotografias emolduradas,
Balbucio meu amor,
Mas as lágrimas interrompem-me,
Enquanto a noite desce.
 
Sei lá de que tamanho é minha noite,
Neste dia a começar de madrugada!
 
 
 
Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa
 
 
 
 
RECORDO VAGAMENTE
 
 
Recordo vagamente,
Que passei ali.
Era ali,
Que o rio se encontrava com o mar,
Numa leveza de se estender num espaço maior,
Abrir as asas...
 
Recordo vagamente,
Que passei ali,
E as ondas me falaram.
Era de manhã cedo,
O sol espreitava amarelado
E abraçava as ondas,
Que se espreguiçavam ensonadas.
 
Recordo vagamente
Que não estava só;
Havia uma sombra a meu lado,
E falava comigo.
Eu não lhe respondia,
Olhava-a desconfiada, a medo.
 
Recordo vagamente,
Que a hera trepava pelas paredes da casa,
Envolvia-as de verde,
Mas ensombrava-as.
 
Recordo vagamente
Que entristeci,
Pela sombra que me ensombrava,
Pelo ensombrado da casa,
Pelas flores mortas no jardim.
 
Recordo vagamente,
Que chorei,
E fugi cheia de medo.
Mas eu gostava de estar ali,
Gostava de ouvir o rio,
Gostava de ouvir o mar,
Gostava de ouvir as  ondas a falar,
Gostava de ver o sol amarelar.
Mas a sombra,
O ensombrado da casa,
O meu medo...
 
Recordo vagamente,
Só vagamente.
 
Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa
 
   
   
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

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