"BIOGRAFIA"

"Albertino Galvão"

 
 

Albertino Boaventura Galvão nasceu na bonita e velha cidade de Benguela, Angola, a 3 de Março de 1947.
 Membro duma família numerosa, (9 irmãos), e órfão de mãe aos 6 anos de idade, teve,
(tal como todos os irmãos varões), de começar a trabalhar muito cedo e, por isso, apenas fez o ensino básico, ou seja, a velha 4ª. Classe.
O interesse pela poesia nasceu quando pela primeira vez leu o poema de Augusto Gil “A balada da neve”, um daqueles poemas que nunca mais se esquecem.
Mais tarde, já adulto, e graças a alguma leitura de obras poéticas a que ia tendo acesso foi desenvolvendo o interesse e daí a aventurar-se a escrever alguns versos.
Depois os anos conturbados da guerra nas colónias, o serviço militar, os problemas com a descolonização e os primeiros anos em Portugal sem futuro definido, fizeram com que a inspiração poética se afogasse num mar de problemas e preocupações.
Mais tarde e a partir de 1978 a poesia começou a fluir mas, por falta de confiança, a ser escondida na gaveta.
Há poucos anos aventurou-se a entrar num grupo de poetas que expunham seus trabalhos na NET e a partir daí com o grato apoio desses poetas a poesia passou a ser uma constante.
Desenvolve os seus poemas tendo como temas preferenciais os problemas sociais, em geral, mas também, como não poderia deixar de ser, o amor.
Sócio nº. 616 da APP – Associação portuguesa de poetas; Grupos na Net, entre outros, Horizontes da Poesia - "Escritartes"; "Mural dos Escritores" - Brasil. Membro actual de "Confrades da Poesia" em Amora. Assina os seus trabalhos como Abgalvão.

Bibliografia: Palavras Aladas – publicado em 2008

Site: http://palavrasaladas.blogs.sapo.pt

E-mail: aboaventurag@sapo.pt  - aboaventurag@hotmail.com
 
Auto-retrato

Se minhas mãos, ao escrever,
traíssem-me o pensamento…
Jamais voltava a fazer
poemas com sentimento.

Não faço versos à toa,
não me guio pela lua,
nem me meto na canoa
se tiver uma falua.

Não me privo do orgulho
por me julgar virtuoso…
Já mandei muito mergulho
em muito mar revoltoso.

Não sou mau, não sou devasso,
nem criatura cruel…
Não me …
 
 
  
 
 
Tenho
 
 
Nos meus dentes tenho a dor a ranger…
Na garganta a voz já ferida e cansada…
Mas sinto nas veias o sangue a correr
Com força poética livre e ousada
 
Carrego na mente ideias concretas…
Nos olhos esp’ranças, na boca sorrisos…
Nas palmas das mãos tenho estradas secretas
E nos dedos marcas, sinais e avisos
 
No peito transporto coragem e medo…
Nas pernas a ânsia, nos braços calor…
No fundo da alma só guardo riquezas
 
Etapas vencidas, as minhas certezas…
E a fórmula sagrada, que aprendi cedo,
De como se faz e se ganha o amor.
 
 
 
 
 
 
 
Devaneio
 
 
Trouxeste-me alento nas asas dum beijo…
Mataste-me a sede que tinha de ti…
Abriste-me a porta do teu desejo
Quando, ansioso, eu nela bati.
 
Sufocamos os preconceitos sem nexo
Com suspiros arrancados do prazer…
E enterramos sem remorsos o complexo
Que tardou esta paixão acontecer.
 
Esta noite meu amor está cheia a lua
E quero uivar como lobo p’ra que entendas
Que te chamo, te desejo e te espero
 
Submissa, descarada, livre e nua
Como loba que ao luar, segundo as lendas,
Mata os cios nos cios do macho fero.
 
A Uma Mulher Que Rezava
 
Tinhas nos olhos, mulher,
Focos de desilusão,
E a esp’rança de quem não quer
abraçar-se à solidão.
Oravas com muito ardor,
Buscando na reza a paz,
Pedindo a Deus o amor
Que o homem não satisfaz.
 
Entre as mãos, tu dedilhavas,
As contas dum terço branco,
E com a fé te embrenhavas
No tal mundo livre e franco.
Se por alguém tu choravas,
As dores que o véu escondia,
Diz-me mulher que rezavas
Se esse alguém te merecia!?
 
 
 
 
Por Amor

Se por amor tu quisesses
cantar-me aquela canção
cuja letra me fizeste
jurando eterna paixão...
rasgar a carta que um dia
por ciúme me escreveste
dizendo apenas adeus…
se por amor tu deixasses
presos no nosso passado
os meus defeitos e os teus
e à minha porta batesses,
timidamente sorrindo,
dir-te-ia vai entrando
e um beijo te ia pedindo.
Se por amor me abraçasses
arrependida e chorando,
dir-te-ia amor não chores
que tudo estou perdoando.
Se por amor aceitasses
comigo na cama deitar,
a paixão renasceria
e em teus lábios mostraria
o quanto te posso amar.

Se por amor tu ficasses
eu, por amor, ficaria!

 
 
Despedida
 
Sem receio nem complexo me propus
Escrever por me sentir um pouco só
E pedir-te nestes versos que compus
Que evites ter de mim receio ou dó
 
Quero ter e vou seguir outros percursos
Sem ouvir os teus dichotes ou queixumes…
Permitir-me esquecer os teus discursos
E os confrontos costumeiros por ciúmes
 
Tenho em mente outros sonhos que prevejo
Concretize, como quero, com sucesso…
Ser feliz e ter no leito quem desejo
 
Pois de ti pouco espero e menos vejo…
E por querer ter comigo quem mereço
Hoje, mulher… é o fim e me despeço!
 

"CONFRADES DA POESIA"

www.confradesdapoesia.pt